Este espaço comunicativo foi pensado com o propósito de facultar a todos os interessados um conjunto de reflexões e recursos didácticos relativos ao ensino das disciplinas de Filosofia e Psicologia, acrescentado com alguns comentários do autor.

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Quarta-feira, 23 de Março de 2016

Profissionalismo e Profissionalidade Docente

 

 Sala de aula.jpg

 

Ao escutar as palavras inaugurais da comunicação da Prof.ª Ariana Cosme sobre o papel e desafios da escola contemporânea, instantaneamente relembrei o filósofo, professor – e também político – Leonardo Coimbra, que na sua obra O Problema da Educação Nacional (1926), faz uma descrição, à época, mas perfeitamente atual, do estado do ensino em Portugal, e que passo a citar: «os estudantes saem hoje, em regra, tristes, fatigados, sem a alegria de viver que é, no homem, a alegria de compreender, incapazes de reações vitais, criadoras e entusiastas. Porquê? Porque se está praticando uma verdadeira violência moral com essas vítimas, a flor, o escol dum povo, e que amanhã deveriam ter as responsabilidades da vida social. Se um aluno entra numa escola pelas nove horas da manhã e sai depois das cinco, é lícito perguntar-se pelo horário de trabalho, que ao operário manual não consente semelhantes atletismos. Onde fica a saúde, a graça, a alegria, uma hora para a meditação, para a vida interior da imaginação, que é a base da invenção, ou da inteligência, clarificando e ordenando?» (Obras de Leonardo Coimbra, vol. II, Porto, Lello & Irmão Editores, 1983, p. 944).

É verdade, hoje a missão/finalidade(s) da escola é simultaneamente o seu desafio(s), e o educador/professor já não é um mestre à maneira antiga, mas aquele agente social e cultural a quem (quase) tudo se pede e (quase) tudo se exige, ou seja, o professor é agora um “interlocutor qualificado” num processo em contante mudança e em permanente consideração, mas também é alguém a quem é requerida uma aprendizagem contínua, que passa por uma gestão administrativa da escola, uma gestão pedagógica da sala de aula, e um sem número de outras imposições que simultaneamente (e infelizmente) possuem cada vez menos reconhecimento social/público. É um facto – e em total concordância com o argumento da Prof.ª Ariana Cosme – que a incumbência do professor já não pode ser a de um mero administrativo/gestor do espaço escolar e dos programas ministerialmente “arquitetados” e aplicados a alunos radicalmente díspares, muito pelo contrário! O professor hoje necessita de refletir e de tempo para executar essa reflexão, porque o “professor navega à deriva, ou se preferirmos avança como um equilibrista, sem jamais estar certo de ter encontrado um equilíbrio estável tentando conciliar o inconciliável, como misturar água e fogo” (Perrenoud, 2001: 22). Por outras palavras, presentemente o professor necessita de tempo para perceber esta nova realidade, para senti-la, para meditar sobre uma “entidade” que se apresenta indefinida, problemática e nebulosa, isto é, a realidade escola, e nela o professor é ao mesmo tempo educador, ouvinte, formador, psicólogo, pai/mãe, assistente social, técnico/terapeuta, etc., numa lógica e num tempo em que a oportuna dinâmica da globalização determina ainda o problema da educação enquanto um “bem transacionável”, assente numa relação de preço versus qualidade do serviço prestado.

Em género de sinopse, no passado e contemporaneamente, a escola suportou profundas alterações, e ela hoje é já bem diferente de há pouco tempo atrás: é uma escola acessível a todos, massificada, livre, inclusiva, tecnológica/informatizada, com identidade própria, culturalizada, politizada, etc., todavia, e apesar de todas estas “reformas”, resta a velha questão por resolver: o que é uma prática educativa de qualidade e qual a formação que devem ter os professores para que a escola cumpra, no presente, este objetivo primordial?

A necessidade de transmitir conhecimentos e competências, e o desejo de os adquirir, subsistiram e deverão continuar a subsistir enquanto existirem seres humanos e sociedades, mas as mudanças permanecem em curso. Precipitando o futuro, talvez a visão do poeta nos possa ajudar a compreender e ampliar a vocação e o processo de ensinar, e a este propósito, Fernando Pessoa, menciona: «há três maneiras de ensinar uma coisa a alguém: dizer-lhe essa coisa, provar-lhe essa coisa, sugerir-lhe essa coisa. (…) O primeiro processo dirige-se à memória e chama-se ensino; o segundo à inteligência e chama-se demonstração; o terceiro à intuição. A este terceiro processo chama-se iniciação.» (Lopes, Teresa R., Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa, Lisboa, Editorial Estampa, 1990, p. 84).

 

 

Miguel Alexandre Palma Costa

(Reflexão elaborada em função das Jornadas Pedagógicas 2015/2016 – Autoridade Profissional Docente: A mudança que se impõe.

Sindicado dos Professores da Madeira, dias 20 e 21 de Novembro de 2015)

 

 


rotasfilosoficas às 19:20

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Sábado, 27 de Fevereiro de 2016

Kant e a intenção na ação

 

Intention.jpg

 

Uma das ideias fundamentais desenvolvidas na ética deontológica de Immanuel Kant é que, na avaliação moral das ações, interessa sobretudo determinar o motivo (intenção) daquele que age. Isto é, por vezes fazemos o que está certo, mas pelos motivos errados, o que faz a nossa ação não ter qualquer valor moral.

 

Vejamos alguns exemplos:

Exemplo 1.

Um comerciante que não engana os seus clientes, por exemplo, procede corretamente. Mas terá a sua conduta valor moral?

Segundo Kant, isso depende daquilo que o leva a proceder assim. Se o referido comerciante não engana os seus clientes porque receia perdê-los, a sua ação não tem valor moral, pois resulta de um desejo ou inclinação egoísta. Mas se, em vez disso, o comerciante procede assim apenas porque julga ter o dever de ser honesto, então a sua conduta tem valor moral.

 

Moedas.jpg

Exemplo 2.

Imaginemos agora outro comerciante e que na sua loja entra um cliente inexperiente. O referido cliente faz as suas compras e quando procede ao pagamento, o comerciante em questão sabe que poderia dar ao cliente que paga o troco errado, ou seja, poderia enganar o cliente e sair impune, isto é, o cliente não saberia que foi enganado devido à sua inexperiência. No entanto, o comerciante pensa: se eu der o troco errado ao cliente, e ele por acaso reparar, a notícia do meu engano poder-se-á espalhar e a minha reputação como pessoa honesta ficará manchada e poderei vir a perder a clientela e a arruinar assim todo o negócio. Então, não vou dar o troco errado!

Ora, o comerciante ao dar o troco certo acaba por não fazer nada de errado – ele devolve o troco correto. Mas será que a sua ação tem, segundo Kant, valor moral?

Não. O comerciante fez a coisa certa - devolveu o troco correto – pelo motivo errado, isto é, agiu por interesse próprio (inclinação egoísta).

 

Exemplo 3.

Kant diz que cada um de nós tem o dever de preservar a sua própria existência. Ora, para uma boa maioria das pessoas que ama a vida, nós temos múltiplas razões para não pormos término (fim) à nossa própria vida. Assim, o único meio de verdadeiramente sabermos a melhor forma possível de isolarmos o motivo operante para alguém/uma pessoa que não tira a própria vida é pensar – imaginar – alguém que é infeliz e que apesar de ter uma vida de total infelicidade, ainda assim mesmo reconhece o dever de se auto-preservar e, portanto, não comete suicídio.

 

Mais uma vez, neste exemplo, e seguindo o pensamento de Immanuel Kant, é a intenção que conta, é ela que marca a moralidade da ação – é teu dever fazer a coisa certa em nome (por) do dever.

O que interessa para Kant é sempre a qualidade da intenção presente nas ações, o carácter do motivo, e para este filósofo a intenção relevante para a moralidade só pode ser o exercício do dever pelo dever e nunca o motivo da inclinação. Quando agimos por dever – quando resistimos ao motivo do reagir seguindo inclinações sensíveis ou conforme o meu interesse próprio – quando agimos por compaixão ou até por altruísmo, só então estamos a agir de forma livre (obedecendo a uma boa vontade), só nessa circunstância agimos de forma autónoma, ou melhor, só nessa ocasião é que as minhas ações não são governadas ou determinadas por considerações externas. Esta é a ligação que Kant estabelece entre liberdade e o conceito de moralidade.

Consubstanciando, agir livremente (de acordo com uma vontade autónoma) não é escolher o melhor meio para um determinado fim, mas é escolher o fim em si mesmo, por si próprio, e isso é uma coisa que só os seres dotados de razão podem fazer, pois é ela (razão) que impõe certos deveres que determinam o que está certo ou errado, ou seja, que estabelece o valor moral das nossas ações.

 

Miguel Alexandre Palma Costa


rotasfilosoficas às 18:42

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Segunda-feira, 1 de Junho de 2015

Uma lição de estética

 

 

 

Fundação.jpg

 

3 de Agosto de 2014 (domingo)

23:00 horas

Acabados de aterrar em Lisboa, no afamado aeroporto da Portela, eu, o meu irmão e os meus pais, e depois de recolhermos as malas que transportamos no porão do avião, apanhamos um táxi (preto e verde) e lá fomos para o hotel que tínhamos reservado. SANA Lisboa Hotel, um hotel moderno, com decoração contemporânea e numa excelente localização, ou melhor, na Avenida Fontes Pereira de Melo, a 350 metros da famosa Praça do Marquês de Pombal. Para o dia seguinte tínhamos reservado algo de muito especial, iríamos, em família, ao Museu de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, criado em 1956 por disposição testamentária de Calouste Sarkis Gulbenkian, um multimilionário turco que se apaixonou por Lisboa.

 

 

4 de Agosto de 2014 (segunda-feira)

9:00 horas

Depois de uma “dilatada” noite, eu e os membros da minha família, lá fomos então satisfazer um dos desígnios que nos conduziu nestas férias à capital: realizar uma visita cultural (guiada) ao Museu de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, na Avenida Berna, bem junto à Universidade Nova de Lisboa, uma das universidades onde gostaria de realizar os estudos académicos.

Pelas 9:30 foi-nos apresentada uma jovem, de nome Maria João Teles (uma estagiária licenciada em História de Arte), que se fazia acompanhar com cerca de 20 pessoas - também elas visitantes - e que foi a nossa guia e anfitriã na visita ao museu.

A guia não só nos apresentou a coleção de arte (Pintura) da Fundação Calouste Gulbenkian, assim como nos explicou muito sobre o que é e não é arte.

 

10:45

- Estávamos agora na minha secção preferida, a coleção de pintura. E começamos por olhar e examinar um pouco da pintura sacra dos séculos XIII e XIV para depois passarmos aos mestres da flandres e Holanda, e alguns renascentistas italianos.

Nesta parte do museu foram-nos apresentadas algumas ideias e saberes que não conhecíamos, quer eu quer os restantes elementos do grupo, que passo agora em revista:

- A estagiária Maria João Teles começou por dizer-nos que a pintura e a sua contemplação tem muito a ver com uma coisa a que se chama estética. E o que é a estética?

Foi-nos dito que enquanto disciplina filosófica, surgiu na Grécia antiga, e era uma reflexão sobre as manifestações do belo natural e do belo artístico. A palavra original era aistesis, significando “sensação” e estava ligada à beleza e à contemplação dela, máximo objetivo da arte.

Hoje a estética continua a ser uma área que trata dos assuntos da arte, na medida em que estes são problemas importantes no âmbito daquilo que a filosofia abrange: por exemplo, a relação criadora entre o artista e a obra de arte, a experiência contemplativa da obra de arte, etc.

 

Taylor.png

Inglaterra, 1833; Óleo sobre tela; A. 88 cm; L. 120 cm

 

11:15

- Detivemo-nos agora diante do quadro intitulado “Quillebeuf, Foz do Sena”, da autoria de Joseph William Turner, quando a guia estagiária Maria nos pediu que aproveitássemos uma experiência estética do objeto que estava diante de nós... o que nos levou logo a não percebermos nada!

 

- E o que é uma experiência estética? Perguntei eu.

 

- "É uma espécie de atitude estética. Atentemos em que consiste ambas", respondeu Maria.

- O ser humano é pensamento, inteligência, razão, mas também é emoção. O meio envolvente, a natureza, o que vê na rua, por exemplo, desperta nele emoções de agrado ou desagrado, de prazer ou de tristeza, de beleza ou fealdade… Mas nós não nos limitamos a contemplar, também criamos, produzimos objetos artísticos onde procuramos não apenas expressar emoções, mas também o fazemos de forma que outros as possam igualmente experimentar quando as/os contemplam.

E continuou Maria – a experiência estética tem como resultado o juízo estético. Mas o que é o juízo estético?

- De uma forma muito simples, é um juízo de gosto, isto é, uma “frase” onde julgamos objetos mediante o nosso sentimento. Neste caso, está ligado à nossa capacidade de reconhecermos o belo, de apreciar, de ajuizar sobre obras de arte ou sobre a natureza.

Foi-nos também explicado que um filósofo alemão do século XVIII, chamado Immanuel Kant, disse que o juízo estético é um juízo de gosto que indica um sentimento subjetivo, mas ao mesmo tempo desinteressado e que deve tender para um consenso subjetivo universal.

 

- Confesso que não entendi quase nada! Mas depois escutei melhor a explicação.

 

- Para Kant, o facto de um sujeito considerar uma obra de arte como bela, e isso ser um juízo de gosto subjetivo, não significa que essa obra de arte não possa ser igualmente considerada como bela por outra pessoa, e é isso que faz com que a arte dependa de avaliações subjetivas com pretensões universais.

 

Degas.jpg

 França, c. 1863; Óleo sobre tela; 92,1 x 69 cm

 

11:30

- “Descansámos” agora diante de uma pintura de do século XIX, um “Auto-retrato ou Degas Saluant”.

Aqui foi-nos lançado mais um desafio pela guia Maria Teles: O que é arte? Pode um auto-retrato ser arte?

Bem, responder a esta pergunta é colocarmo-nos em enormes dificuldades, pois não há uma definição consensual e unânime entre os especialistas sobre o que a arte é.

 

- A palavra arte provém do grego techné e do latim ars, significando desde técnica e/ou habilidade como criação artística, procura do belo,... Por outras palavras, a arte está ligada à criação de objetos cujas formas, massas, texturas e proporções propiciam sensações estéticas agradáveis, por oposição às criações que provocam reações de repulsa ou de desagrado em nós. A arte e o seu propósito é proporcionar-nos sensações estéticas; criamos objetos artísticos tendo em vista a experiência estética e esta existe em todos os homens. Não há homens sem experiência estética, e mesmo um auto-retrato pode provocar em nós este tipo de experiência!

 

- Se é verdade que a arte depende do artista que a cria (e o artista é aquele que alia criatividade ao que recebe da realidade), a arte e o resultado da criação artística é a produção de uma realidade transfigurada, isto é, uma realidade ultrapassada e alargada ao mundo imaginário do seu criador, à sua subjetividade, à sua capacidade de transformar experiências em objetos de arte que nos possibilitam sentir o belo, melhor, ser seduzidos por ele.

 

Renoir.jpg

 França, c. 1872-1874; Óleo sobre tela; A. 53 cm; L. 71,7 cm

 

- Depois deste esclarecimento, chegámos a uma sala onde estavam autênticas obras-primas e de grande valor monetário. É verdade, estava, ou melhor, estavamos agora à frente de um quadro da autoria de Renoir com a denominação “Retrato de Madame Claude Monet”, uma obra da corrente impressionista.

- Aqui a estagiária Maria lançou-nos mais uma questão: a arte é imitação ou expressão?

 

- Nenhum de nós sabia a resposta, e ecoou o silêncio durante alguns segundos… até que a própria

"guia-estagiária" explicou:

 

- A teoria da arte como imitação, a teoria mais antiga, defende que a arte é uma imitação ou representação figurativa da natureza, das ideias, da ordem ou harmonia cósmica, etc. Por outro lado, a teoria da arte como expressão refere que a arte é a expressão de emoções, dos sentimentos dos artistas. Portanto, a arte é aqui o reflexo de uma dimensão subjetiva (a nível emotivo, formal ou simbólico) do sujeito enquanto criador artístico, e esta concepção de arte surgiu somente a partir do século XIX.

Por exemplo, a corrente impressionista e o quadro de Pierre-August Renoir que agora estava diante de nós é bem o exemplo deste tipo de arte que parte da realidade mas que simultaneamente se distancia dela, pois é o reflexo da sensibilidade, do sentimento e das emoções/impressões ..., do artista que a elaborou.

 

Monet.jpg

França, 1880; Óleo sobre tela; A.68 cm; L. 90 cm 

 

11:55

- Estávamos agora defronte de mais uma magnífica obra do museu: “O Degelo”, da autoria de Claude Monet, uma paisagem, austera e dolorosa, que representa um degelo de grandes proporções ocorrido junto ao Sena, na região de Vétheuil, a oeste de Paris, nos primeiros dias de Janeiro de 1880.

A nossa guia, Maria Teles, interrogou-nos mais uma vez: os entendidos em arte dizem que a linguagem desta é simbólica e polissémica, o que é que isto quer dizer? O que acham?

 

- Ora, ninguém se pronunciou. Reconhecíamos mais uma vez desta maneira a nossa ignorância. Mas, a expert no assunto, a nossa guia, depressa nos ajudou:

 

- Por “polissemia” entendamos a qualidade que faz com que uma forma, palavra, ou imagem possa ter diversos sentidos, consoante o contexto de utilização e a sua inserção nesse mesmo contexto. Ora, em arte quer dizer praticamente o mesmo. Uma obra de arte é também ela polissémica, apresenta mais do que um significado, ou seja, ela tem um carácter de abertura, é uma obra aberta pois possibilita uma variedade/multiplicidade de interpretações.

Como diz o escritor Umberto Eco, ela tem «a possibilidade de ser interpretada de mil modos diferentes sem que a sua irreproduzível singularidade seja por isso alterada». É próprio das obras de arte serem interpretadas e reinterpretadas de múltiplos modos, eventualmente até imprevistos, e esta é a sua grandeza!

 

Mas estávamos agora mesmo no final da nossa visita, e sem mais demoras, porque a hora do almoço estava para breve, ficamos todos a pensar numa única ideia depois do que havíamos visto: O que é afinal a beleza? Pode a arte mostrar o belo? O que é o belo?

- A esta pergunta respondi: «bem, com base em tudo o que vi e ouvi hoje, penso que o belo é obviamente o que provoca uma emoção estética em mim, que é agradável, harmónico, aprazível para os meus sentidos, que me parece quase-perfeito, é o que determina uma experiência de prazer suscitada pelas coisas que observo. Melhor, o belo é aquilo que me “espanta”, mas num sentido positivo, isto é, que me faz sentir bem quando o contemplo.

 

12:40

Chegamos, então, ao fim da exposição. Era praticamente hora de ir almoçar e tínhamos tido um conjunto de experiências maravilhosas naquela manhã. Um dia hei-de voltar, pensei eu, mas seguramente com mais tempo para apreciar tudo de novo!

 

Miguel Alexandre Palma Costa

(Texto elaborado com base nos conteúdos programáticos da disciplina de Filosofia do 10.º ano - temática: 3.2. A dimensão estética - Análise e compreensão da experiência estética) 


rotasfilosoficas às 14:59

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