Este espaço comunicativo foi pensado com o propósito de facultar a todos os interessados um conjunto de reflexões e recursos didácticos relativos ao ensino das disciplinas de Filosofia e Psicologia, acrescentado com alguns comentários do autor.

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Domingo, 12 de Março de 2017

Política: da teoria à má prática

 

Politica.jpg

 

A palavra Política, proveniente do grego “Pólis” («cidade-estado»), diz respeito, em geral, ao governo dos homens e à administração das coisas, em particular, à organização e direção dos Estados.

Do ponto de vista académico, podemos enunciar que a política é por muitos considerada de três formas, ou melhor, abarca três significados algo distintos: primeiro, uma “arte”, a de governar a cidade (estado) de acordo com um projeto relativo ao/para o conjunto da mesma (por exemplo, revivo a expressão “ter uma política”, uma ideia aqui e agora que é possível efetivar); segundo, a política como uma atividade: “fazer política” é alguém empenhar-se na ação que pretende a tomada do poder para fazer triunfar as suas ideias; terceiro, e relembrando um acreditado pensador francês, Paul Ricoeur, a política como um domínio específico (distinto, por exemplo, do poder económico), “a política, como atividade gravitando em torno do poder, da sua conquista e do seu exercício”.

 

Ora, uma curta reflexão sobre o lugar da política hoje, em particular numa pequena região insular como é caso da RAM – e por que não estendê-la ao continente nacional – teria de passar pela célebre distinção entre teoria e prática. A este propósito, diz o ditado popular que «a teoria é uma coisa mas a prática é outra», e provavelmente nos assuntos da política também assim o é.

Em termos teóricos, Aristóteles (porventura o analista político mais perspicaz de sempre) refere a política como a “ciência suprema”, à qual as outras ciências estão subordinadas e da qual todas as demais se servem numa cidade, pois a sua tarefa seria investigar qual a melhor forma de governo e as instituições capazes de garantir a “felicidade coletiva”. Já mais contemporaneamente, o sociólogo e filósofo Julien Freund descreve a política como a «autoridade social cujo objetivo consiste em garantir pela força, geralmente fundada no direito, a segurança externa e a concórdia interna de uma unidade política particular». (Freund, J., L’essence du politique, Paris, Sirey, 1965, p. 751).

 

Se esta é a verdadeira natureza/essência da política, a sua prática, em tempos atrasados e ainda corrente – pelos mais diversos motivos –, tem determinado outra função e uma imagem desfavorável da própria atividade política. Por outras palavras, além de diversas situações concretas e objetivas, nos últimos anos, quer na RAM quer no país, esta nobre atividade sofreu uma espécie de linchamento mediático que se justifica graças aos inúmeros casos de incompetência, inépcia, agnosia, corrupção e quase toda uma espécie de escândalos por parte de quem desempenha cargos na política. Pessoalmente, convenço-me de que a maioria dos políticos são bem melhores do que o descrédito a que foram votados, mas a considerável avaliação desfavorável quanto à práxis política deve-se, por exemplo, na RAM e em Portugal, a um conjunto alargado de situações, factos, orientações e decisões que não só fizeram diminuir a confiança na missão da política, como afastaram o interesse da maioria dos cidadãos da administração da coisa pública. Por exemplo, são vários os figurinos de alguém que entrou deputado e saiu administrador e/ou consultor de empresas em sectores estratégicos; que entrou secretário de estado (na RAM, diretor ou secretário regional) ou ministro e saiu empresário; que ingressou supervisor e saiu banqueiro ou que se iniciou como banqueiro e saiu supervisor. Poderíamos, inclusive, expressar que a vida de quem exerce cargos políticos – de topo – no setor público é, no mínimo agitada e, diz o ‘cidadão comum’, garantia de futuro promitente.

A juntar a esta crítica, e provavelmente menos abonatório ainda, estão todos aqueles escândalos que nos últimos 43 anos de democracia pluripartidária foram noticiados pelos órgãos de imprensa (e – alguns – julgados nos órgãos judiciais competentes), como foram os casos do ex-governador de Macau, Carlos Melancia, dos ex-secretários de Estado Costa Freire, Silva Peneda, Couto dos Santos, do ex-ministro Braga Macedo, de Paulo Pedroso (ex-ministro do Trabalho e da Solidariedade), o da Universidade Moderna que envolveu Paulo Portas (na altura ministro da Defesa), os de Isaltino de Morais e Fátima Felgueiras… e, mais recentemente, de Armando Vara, Mário Lino, Paulo Portas (e os famosos submarinos), Duarte Lima, Paulo Penedos, Nobre Guedes, Miguel Relvas, Passos Coelho (e o processo Tecnoforma) e, finalmente, o ex-Primeiro ministro José Sócrates (a operação “Marquês”) e os vistos ‘gold’ e o ex-ministro Miguel Macedo.

 

Na RAM, “casos” também não faltaram, como, por exemplo, o da dívida pública oculta da Madeira (cerca de 1.113,3 milhões de euros encobertos durante três anos), agora arquivado pela Procuradoria-geral da República e que envolvia o próprio Presidente do Governo Regional, à época, e dois secretários regionais. Mas outros escândalos também constam do panorama político regional, como são os de condenação por corrupção passiva de um deputado regional, de ex-autarcas por prevaricação e corrupção e, mais recentemente, a nomeação de figuras proeminentes da política madeirense na famosa investigação dos ‘Panama Papers’.

Com tudo isto, e reconhecendo que a maior parte das críticas têm razão de ser, a prática política nacional vive hoje um momento de descrédito e de alguma intolerância dos cidadãos face a um enquadramento institucional corrupto e desorientado, contudo é importante aqui recordar algo: ao desqualificarmos a política, aqueles que têm um qualquer poder de outro tipo (por exemplo, económico), aprovam-no com grande entusiasmo. Mais: pior de que uma má política, só mesmo a sua ausência!

 

Miguel Alexandre Palma Costa


rotasfilosoficas às 19:32

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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2017

Filosofia, pensamento crítico e argumentação

 

 

Pensamento Filosófico.jpg

 

Os gregos ficaram na/para a história por serem notáveis criadores (desde praticamente todos os géneros literários – como a tragédia, comédia, poesia, etc. – mas também podemos apontar o “nascimento” do conhecimento científico, numa variante teórica e não experimental, como uma invenção sua) e a Filosofia, ou melhor, o surgimento do pensamento e argumentação crítica, foram, conjuntamente, uma dessas “criações” que marcaram definitivamente o pensamento europeu, e que hoje se alastra a muitas outras regiões e culturas do globo.

 

Parece que foi durante o século VII a.C. (com os pré-socráticos, que se dedicavam à investigação das explicações causais e que tentaram formular “teorias” sobre o mundo e a natureza), que nasceu, na Grécia antiga, as primeiras formas de pensamento crítico, cuja principal tarefa era explicar a origem do mundo, da vida e das leis que regem o universo. Como consequência desta invenção e investigação, a magia, os mitos e ritos, as tradicionais superstições/crenças deram lugar a uma abertura cada vez maior ao racionalismo e à especulação abstrata, ou melhor, ao pensar independente, lógico e crítico que começou a surgir com as primeiras “tentativas” de explicação do funcionamento do Cosmos.

 

No século V a.C., uma cidade, Atenas, foi o ponto de encontro de homens com esta vontade de afirmar o pensamento crítico e de explicar racionalmente a origem das coisas, ou seja, do universo. Contudo, fruto de um caminho que já contava com cerca de dois séculos, este pensamento ou atividade transformou-se, e propunha agora outro racionalismo em que a especulação metafísica seria substituída por sistemas de pensamento voltados para preocupações concretas da realidade humana. A questão central passou a ser o homem como indivíduo, em detrimento do mito e da natureza, e o pensamento crítico (filosófico) mergulha, então, numa “introspeção” acerca dos mais variados temas, como a política, o direito, a religião/espiritualidade, questões sociais, etc. Também por esta altura o pensamento crítico travava a sua primeira grande batalha com o famoso movimento sofista, que opunha à razão, a doxa (opinião), ou melhor, uma retórica e oratória que seriam criticadas por importantes filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles.

 

Aproximadamente 2500 anos depois – e com toda a evolução cultural, científica, tecnológica, social, etc., conseguidas e compreendidas nestes séculos – a relevância e a utilidade do pensamento crítico continuam a ser hoje fundamentais num clima onde o pensar com “cuidado”, de forma deliberada e fundamentada/justificada (e até o “pensar acerca de como pensar”) é pouco enaltecido e valorizado, pois a imagem, a aparência, o imediato e mediatizado são aquilo que tem interesse e crédito numa sociedade de consumo e do descartável.

 

Porém, perante todo este cenário contemporâneo que representa um “risco” para o futuro, existem áreas do saber ou disciplinas, no sistema de ensino português (assim como alguns especialistas) como, por exemplo, a disciplina da Filosofia, que consideram necessário adotarmos e desenvolvermos cada vez mais competências de um pensamento crítico. Por outras palavras, para a Filosofia e para a prática quotidiana do seu ensino, é importante identificar, evitar e avaliarmos estereótipos/preconceitos cognitivos, e aqui a aplicação da estratégia/método do pensamento crítico é fulcral. Mas esta também pode servir para reconhecer e avaliarmos não só a informação de que dispomos (e as suas fontes), mas, e sobretudo, para analisarmos os argumentos que utilizamos na expressão do nosso pensamento de forma a evitarmos erros capitais.

 

No ensino da Filosofia, a prática do pensamento crítico permite-nos atualmente facultar aos alunos não só o reconhecimento das suas faculdades do pensar, mas também o aperfeiçoamento do seu discernimento cognitivo, ético, estético, religioso, político, lógico, etc., o que contribui no presente imediato – e a médio prazo, no futuro – para uma maior capacitação na intervenção/participação ativa dos cidadãos na vida das comunidades a que pertencem.

 

Em género de conclusão, o ensino da Filosofia, hoje, ao aplicar o método/estratégia do pensamento crítico, permitirá que os alunos façam (e aperfeiçoem) uma análise crítica das suas convicções pessoais, se apercebam da diversidade dos argumentos (e pontos de vista) e das problemáticas dos outros, mas também – e principalmente – que reflitam, problematizem e descubram o carácter limitado de todo o conhecimento, mesmo daquele que hoje é considerado o mais seguro e/ou próximo da verdade. Assim, e pelas razões expressas, o ensino da Filosofia não se deve furtar ao exercício do pensamento e argumentação crítica, pois o seu objetivo é seguramente proporcionar aos alunos um trabalho reflexivo a todos os níveis, ou melhor, “uma atitude de suspeição”, crítica, sobre todo o real, mas simultaneamente uma atitude que lhes permita também tomar um posicionamento compreensivo e reflexivo sobre esse mesmo real.

 

Miguel Alexandre Palma Costa

(Reflexão elaborada em função da Ação de Formação “Argumentação e pensamento crítico na sala de aula como estratégia de resolver conflitos", Sindicado dos Professores da Madeira, dias 26 de Novembro e 3 de Dezembro de 2016)


rotasfilosoficas às 21:36

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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2016

Reuniões, reuniões... e burocracia a mais na escola

 

Burocracia.jpg

 

Tem pouco mais de um ano que escrevi algures que os britânicos passam uma média de 4 horas por semana em reuniões, e metade do tempo dessas reuniões é desperdício.

 

Em Portugal, e sobretudo no sector onde trabalho (ensino), há reuniões para "quase" tudo e quase “nada”, e julgo que a percentagem do tempo desperdiçado é ainda maior.

 

As reuniões onde muitas vezes estou presente (de forma impositiva, por convocatória) raramente têm objetivos claros, por vezes - e sobretudo as gerais - têm gente a mais e o ruído é ensurdecedor, a discussão é quase nula, pois trata-se apenas de passar uma qualquer mensagem/argumento muitas vezes fraco e falacioso… Enfim, a dispersão acaba por ser inevitável e a eficiência das ditas reuniões é nenhuma.

 

Proponho então o seguinte: copiemos o modelo japonês: reuniões curtas, realizadas em pé, a obrigação de uma ordem de trabalhos manuscrita e entregue 48 horas antes aos intervenientes nas mesmas, e com duração máxima de 30 minutos.

 

Mais, proponho ainda que estas reuniões sirvam/tenham como principal objetivo desburocratizar o trabalho dos professores, facto muito presente nas nossas escolas ditas “autónomas” e que prejudica, obviamente, a motivação, o trabalho dos professores e a qualidade do ensino e das aprendizagens dos alunos.

 

Aliás, vários estudos apontam que a desmotivação (e o desgaste) no trabalho docente é devido, essencialmente, ao cresceste número e às “novas” tarefas atribuídas aos professores, à emergência de uma cultura competitiva e individualista e à produção excessiva de trabalho burocrático, tendo tudo isto como consequência um forte impacto nas atitudes dos professores e um cada vez maior número de docentes em burnout. Segundo um estudo recente do ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada), quase um terço dos professores do ensino básico e secundário, em Portugal, estão em burnout (“exaustão”), e de acordo também com um novo artigo/estudo, mais de 60% dos professores universitários sofrem de um estado de exaustão decorrente do stress do trabalho.

 

Ora, que outras medidas podemos adotar para inverter esta situação? 

 

 

Miguel Alexandre Palma Costa


rotasfilosoficas às 14:20

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