Este espaço comunicativo foi pensado com o propósito de facultar a todos os interessados um conjunto de reflexões e recursos didácticos relativos ao ensino das disciplinas de Filosofia e Psicologia, acrescentado com alguns comentários do autor.

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Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

A ideia e objecto da Fenomenologia

«A Fenomenologia é uma alternativa ao cientismo positivista; com ela poderemos abandonar a situação de crise. A filosofia husserliana supõe uma necessidade de reformar radicalmente a filosofia. A Fenomenologia move-se “nas esferas da intuição directa, e o passo maior que tem de dar o nosso tempo é reconhecer que, com a intuição filosófica no seu verdadeiro sentido, com a captação fenomenológica da essência, se abre um campo infinito de trabalho” (A Filosofia como ciência de rigor, pp. 108-109).
[...] Pode caracterizar-se a Fenomenologia com as seguintes notas:
a) A Fenomenologia é um método, isto é: um modo (método) de fazer da filosofia uma ciência de rigor, frente ao relativismo histórico e ao subjectivismo psicológico. O primeiro passo para lograr esta filosofia será “uma crítica positiva dos fundamentos e dos métodos” (como vimos no Naturalismo e no Positivismo). Logo teremos:
b) A Fenomenologia como uma ciência descritiva, teorética e não interessada, em oposição ao pragmatismo e utilitarismo da razão. A Fenomenologia como psicologia descritiva, como a descrição de essências, uma vez que estas se tenham intuído. Descobrirá o dado antes de todo o pensar, o manifesto enquanto fenómeno.
c) A Fenomenologia como ciência dos fenómenos. A Fenomenologia é isso, ciência dos fenómenos, mas não entendendo “fenómeno” à maneira de Hume (como um estado psíquico), ou como Kant (o que se opõe à coisa em si). A palavra fenómeno, em Husserl, significa o mesmo que a palavra grega “phainómenon”: o que aparece à luz, o que se mostra, e que consiste neste seu mostrar-se e com os traços ou aspectos essenciais com que se mostra. Isto é, a Fenomenologia não é um saber de meros e enganosos “fenómenos” mas das próprias coisas, consideradas de tal modo que se apresentam como realmente são, sem se deixar deformar por modos (métodos) acríticos de as considerar. A Fenomenologia quer dar assim o sentido preciso e essencial (logos) das coisas enquanto estas se mostram (fenómenos) de maneira que chegam a ser «reveladas» por aquilo que unicamente pode empreender semelhante revelação do sentido essencial das coisas, a saber, a consciência pura.
d) A Fenomenologia como ciência fundamental e filosofia primeira: Fenomenologia Transcendental. Toda a estrutura da ciência assenta sobre o mundo da vida (Lebenswelt), todas as ciências assentariam nesse quotidiano no mundo que tem esse carácter primigéneo, visto que é onde “a ciência tem a sua origem, e que é o único a partir do qual se pode obter uma inteligibilidade última”. Ciência fundamental, na medida em que trata da fornecer os fundamentos do fazer científico e da racionalidade da história e da humanidade; filosofia primeira, na medida em que pretende oferecer os princípios puros a partir dos quais se empreende a respectiva fundamentação. Vê-se assim a estreita relação entre a Fenomenologia como ciência dos fenómenos e a Fenomenologia como ciência fundamental e filosofia primeira. A Fenomenologia oferece o princípio puro e o fundamento da revelação do sentido essencial e originário (logos), do que as coisas são em sua configuração e presença (fenómeno) originária. E enquanto a Fenomenologia realiza esta função de principiar e fundar, Husserl chama-lhe Fenomenologia Transcendental, termo este em que se podem reconhecer as profundas ressonâncias kantianas.

e) A Fenomenologia como auto-reflexão da humanidade. É a concepção da filosofia como “função de humanização do homem”; o filósofo é “funcionário da humanidade” permitindo e colaborando para que esta se desenvolva e atinja essa razão com a qual o homem “se descobre responsável do seu próprio ser”. Rebela-se contra o mundo técnico, pois a “razão do fracasso de uma cultura racional não se encontra, no entanto [...] na essência do próprio racionalismo, mas unicamente na sua alienação, em sua absorção dentro do Naturalismo e do objectivismo (A Filosofia na Crise da Humanidade Europeia, ibid., pp. 171-172.).» 

 

Cordon, J. M. N.; Martinez, T. C., História da Filosofia, Lisboa, Edições 70, 1994, pp. 122-123, vol. 3.


rotasfilosoficas às 18:07

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