Este espaço comunicativo foi pensado com o propósito de facultar a todos os interessados um conjunto de reflexões e recursos didácticos relativos ao ensino das disciplinas de Filosofia e Psicologia, acrescentado com alguns comentários do autor.

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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

A Motivação em Maslow

      

 

      É difícil definir o conceito de motivação, que tem sido utilizado de tão variados sentidos. O motivo é aquilo que impulsiona o indivíduo a agir de determinada forma, e nesse sentido, a motivação está relacionada com o seu sistema congnitivo. As pessoas são diferentes no que se refere à motivação: as necessidades variam de indivíduo para indivíduo, produzindo diferentes padrões de comportamento; os valores sociais, as capacidades para atingir os objectivos são igualmente diferentes, etc.

A motivação corresponde ao conjunto de factores psicológicos, conscientes e não conscientes de ordem fisiológica, intelectual ou afectiva, os quais agem entre si e determinam a conduta do indivíduo.
A motivação é um conceito que se invoca com frequência para explicar as variações de determinados comportamentos e, sem dúvida, apresenta uma grande importância para a compreensão do comportamento humano. É um estado interno resultante de uma necessidade que desperta certo comportamento, com o objectivo de suprir essa necessidade. Os usos que uma pessoa der às suas capacidades humanas dependem da sua motivação - seus desejos, carências, ambições, apetites, amores, ódios e medos. As diferentes motivações e cognições de uma pessoa explicam a diferença do desempenho de cada uma.
Os “fenómenos motivados” apresentam comportamentos que parecem guiados pelo funcionamento biológico do organismo da espécie: como o de beber, comer, evitar a dor, respirar e reproduzir-se, porém, não obstante, temos os de natureza motivacional que seriam os comportamentos resultantes de necessidades, desejos, propósitos, interesses, afeições, medos, amores e uma série de funções correlatas. Alguns psicólogos afirmam que também é o desejo consciente de se obter algo, sendo assim, uma determinante da forma como o indivíduo se comporta. Está envolvida em várias espécies de comportamento como: aprendizagem, desempenho, percepção, atenção, recordação, esquecimento, pensamento, criatividade e sentimento. A motivação também possui elementos complexos, inconscientes e, muitas vezes, antagónicos, gerando assim, constantes conflitos. Mas, com certeza, é a motivação que move o Homem.
 
Considerações históricas:
Os sistemas de crenças do homem primitivo eram tais que a motivação não constituía grande problema pois no início de sua história o comportamento era atribuído por forças ocultas, a espíritos ou demónios, que o animavam, ou seja, se o seu comportamento fosse socialmente aceitável dizia-se que era um bom espírito que estaria lhe guiando, caso não fosse socialmente aceito acreditava-se que a culpa era do mau espírito ou do demónio, sendo assim o espírito determinava a natureza do comportamento.
É claro que o nome dessas força mudaram com o passar do tempo, mas mantendo o seu conceito estável, apesar de fazer pouca diferença se a ela se dava o nome de espírito, demónio, alma ou mente.
Enquanto esses agentes forem considerados responsáveis pelo comportamento, a investigação científica da modificação do homem foi praticamente impossível. Gradativamente os espíritos humanos começaram a desaparecer e acabaram sendo substituídos por novos conceitos.
No início do século XX a motivação ganhou uma ênfase maior devido em parte aos esforços de William McDougall, um cientista britânico do comportamento, que fez com que a motivação ganhe um espaço importante na psicologia. McDougall chamava os motivos instintos, que para ele eram um processo biológico inato que predispunha o organismo a verificar estímulos especiais que respondiam a movimentos de aproximação ou prevenção.
Em 1908 McDougall publicou uma lista que apresentava a curiosidade, repulsa, agressão, auto-afirmação, fuga, criação de filho, reprodução, fome, sociabilidade, aquisição e construtivismo, como "instintos" e esta lista fez com que muitos cientistas ficassem satisfeitos, passando a citar literalmente vários instintos, inclusive, o de ser moral.
Nos dias de hoje os psicólogos passam pouco tempo a tentar identificar tipos determinados de motivos; a maioria deles enfoca a descrição e sua explicação sobre as influências do comportamento motivado.
 
Classificação dos Motivos
IMPULSOS BÁSICOS: Estimulam comportamentos que visam satisfazer necessidades básicas, baseadas na fisiologia. Exemplo: ar, água, sexo, prevenção da dor (desprazer) e equilíbrio biológico interno (homeostase). Podem ser muito influenciados pela cultura (experiência).
MOTIVOS SOCIAIS: Surgem para satisfazer as necessidades de sentir-se amado; Está intimamente ligado ao contacto com outros seres humanos e isso é decisivo para o sucesso em ajustamento (adaptação).
MOTIVOS PARA ESTIMULAÇÃO SENSORIAL: As pessoas e outros animais precisam desta estimulação, que pode ser um estímulo externo (do meio) ou interno (auto-estimulação, como cantar de boca fechada, por exemplo). Sem esses estímulos, que são experiências sensoriais, os indivíduos alucinam, no intuito de gerar auto-estimulação.
MOTIVOS DE CRESCIMENTO: São os que levam os indivíduos ao aperfeiçoamento pessoal sem se importarem com o reconhecimento. Acham-se intimamente ligados aos motivos de estimulação, exploração e manipulações sensoriais. O motivo de realização muitas vezes é considerado um motivo de crescimento.
IDEIAS COMO MOTIVOS: As ideias podem ser intensamente motivadoras, proporcionando comportamentos motivados por sugestões, que podem até mesmo comprometer a integridade física do indivíduo. Essas ideias podem gerar conflitos, quando ocorre a dissonância cognitiva, mas geralmente as pessoas são motivadas a manterem cognições coerentes.
 
A Hierarquia dos Motivos segundo Maslow - A Pirâmide de Maslow

 

O psicólogo Abraham Maslow concluiu que é inato dos seres humanos cinco sistemas de necessidades, que são dispostos hierarquicamente em forma de pirâmide, de onde podemos constatar que, por mais que as pessoas estejam socializadas, elas continuam a ser «animais carentes» durante toda a sua vida.
Após alcançarmos um estágio de necessidades, um outro o substitui, fazendo-nos subir através de sistemas de necessidade cada vez mais elaboradas, desde que essas novas necessidades não comprometam ou abatam as necessidades inferiores, porém mais básicas e essenciais do ser humano. Por exempo, quando uma pessoa é privada de alimento, ela tende a pensar que apenas a comida a faria plenamente feliz e que nunca precisaria de outra coisa. Do mesmo modo, uma pessoa tenderá a abrir mão de tudo o que possui, para antes satisfazer essas necessidades básicas como ar, alimentação, água etc.
Uma vez satisfeitas as necessidades fisiológicas básicas, aparece a necessidade da pessoa sentir-se protegida, até mesmo para que esta necessidade sirva de protecção para que as necessidades básicas continuem a ser atendidas. Surge então o desejo pelo emprego estável, cadernetas de poupança, etc., ou ainda de se fundamentar em religiões e filosofias para que as suas vidas fiquem organizadas, gerando assim, uma sensação de segurança.
Quando as necessidades de segurança são satisfeitas, aparecem as necessidades de afeição, aceitação, de fazer parte de um grupo. Elas procuram amar e ser amadas. Segundo Maslow, o rompimento dos laços familiares faz com que o ser humano procure noutra pessoa a satisfação das necessidades de amor. Se essas necessidades forem atingidas, dominam as necessidades de estima, que são as realizações, as aprovações e o reconhecimento da sociedade.
Finalmente, quando todas as outras necessidades estão garantidas, as pessoas procuram auto-realização, mas apenas 1% da população a consegue.
É importante observar que os dois conjuntos de necessidades na base da pirâmide estão relacionados com o “pessoal”, enquanto que os conjuntos de necessidades acima estão relacionados com o “social”; de onde se conclui, que o ser humano não conseguirá relacionar-se em uma sociedade caso a integridade das suas necessidades fisiológicas e de segurança estiverem comprometidas e/ou abaladas.
 
Aspectos Biopsicossociais da Motivação
 
A) Aspectos biológicos
A concepção do homem como um produto social deixa lugar para os impulsos fisiológicos básicos – que são as exigências mínimas para a sobrevivência biológica. Por exemplo, a necessidade de alimento é satisfeita em todas as sociedades, mas a maneira específica pela qual entra no quadro da motivação do indivíduo, é determinada pela sociedade que varia amplamente de cultura para cultura, de época para época. O que se considera realmente básico quanto à motivação, é um conjunto de impulsos biológicos, e esses impulsos estão relacionados com as exigências fisiológicas do corpo e a sua sobrevivência: exigência de alimentação, água, oxigénio, afastamento de estímulos dolorosos e outros semelhantes.
A acção motivada foi, em grande parte explicada e reduzida apenas aos impulsos não despertados: por exemplo, o esgotamento das substâncias alimentares no corpo do animal leva a um estado de inquietação; ele age, encontra e come o alimento. Quando o seu corpo está satisfeito, o seu impulso reduz-se.
O homem, assim como o animal, é também concebido como sendo em grande parte conduzido por instintos biológicos. As tendências biológicas inatas eram às vezes chamadas de instintos, que é mais do que um impulso inato; o instinto refere-se tanto ao impulso quanto à actividade adequada para satisfazê-lo.
 
Motivação sexual
As pessoas podem facilmente sobreviver sem sexo. No entanto, a perpetuidade da espécie ficaria comprometida.
Os psicólogos classificam a motivação sexual como um impulso fisiológico básico. O impulso sexual não pode ser entendido somente como resultado de reprodução. O indivíduo aprende a maneira de reduzir esses impulsos, e ao fazê-lo, vem a desenvolver impulsos adquiridos, por exemplo ao procurar um par para satisfazer um impulso sexual, pode aprender que o prestígio social é um auxílio para conseguir um objectivo.
 
B) Aspectos psicológicos
Os motivos básicos do homem são inconscientes. Ele desconhece as razões reais de grande parte de seu comportamento. As razões reais são tendências instintivas “profundas” que se manifestam sob formas complexas. As suas escolhas e acções não são o resultado de uma análise racional da situação, uma avaliação deliberada das consequências; os «motivos» do homem inconsciente estão todos nele, mas a maneira pela qual governam o seu comportamento e sua experiência interior são inteiramente diferentes. Isto não significa que o homem deixa de dar sentido ao seu comportamento.
Ele tem a experiência ‘interior’ de necessidades e desejos, objectivos e intenções, e tende a ver a maioria do seu comportamento relacionado de maneira significativa com tais experiências. Mas, os motivos que ele experimenta são muitas vezes falsas aparências dos motivos inconscientes, e a sua compreensão da sua motivação é apenas racionalização.
Embora existam muitos percursores históricos sobre estas opiniões, foi Freud quem chegou ao desenvolvimento completo desta concepção; as suas teorias não procuram apenas uma explicação da motivação humana, mas atingem os problemas mais amplos de uma explicação da personalidade total. Para identificar os motivos na pessoa é necessário inferir as necessidades específicas, os desejos e os objectos de que a pessoa tem experiência anterior. Uma forma de fazê-lo é estudar o seu comportamento e inferir as suas necessidades e desejos a partir do carácter sistemático do comportamento, e inferir os objectivos dos efeitos produzidos pelo seu comportamento. Outra maneira é pedir que a pessoa nos diga as suas necessidades, quais os seus desejos e objectivos; estes métodos são suplementares e ambos necessários, mas podem apresentar dificuldades especiais.
 
C) Aspectos Sociais
O homem aprende as formas de viver da sua cultura ao procurar satisfazer as necessidades básicas. Interioriza os costumes, os rituais, os valores da sua sociedade, e a sua estrutura motivacional é formada, fundamentalmente, por essas influências sociais. Por isso dá-se aos impulsos biológicos o papel mínimo que permite a sobrevivência do organismo, e tudo o mais é concebido como socialmente determinado.
As origens dos seus motivos estão nas exigências do seu grupo social; o homem reflecte a sua cultura, os seus motivos, desejos, objectivos, as suas intenções e tudo isto é o reflexo das necessidades da sociedade. O homem é um animal social, assim como um animal biológico. Assim como houve uma selecção natural do processo evolutivo que produziu o ser humano com motivações humanas, também, possivelmente, existiu uma selecção e uma evolução sociais, nas quais a natureza humana chega a ser tal que as sociedades sobrevivem e realizem as funções da vida grupal.
  
Questões para Debate:
- O Sexo funciona como MOTIVO?
O sexo influencia na maneira como o indivíduo se comporta, ou seja, possui este, geralmente, o poder de manipular e controlar a pessoa impulsionando-a para uma nova aprendizagem ou recompensa?
- O que impulsiona a humanidade na procura de novas conquistas espaciais?
- Porque é que cada dia novos modelos de automóveis são lançados no mercado, muitos deles com apenas poucas e subtis modificações dos modelos anteriores?
- O que leva um atleta a participar conscientemente em provas que exigem esforços que vão além de sua capacidade?
  
Conclusões:
Apesar de ainda não estar muito bem definida, devido à diversificação de opiniões, a motivação é, sem dúvida, o que leva o ser humano comportar-se de maneira específica e directamente ligada às suas necessidades, sejam estas a nível fisiológico e/ou cognitivo, o que torna o motivo um tanto complexo, subjectivo e manifestamente ligado às experiências anteriores e à personalidade de cada indivíduo.
Seja qual for a definição dada à motivação, não podemos deixar de estudar a sua aplicabilidade nos comportamentos humanos, principalmente a níveis sociais e trabalhistas.
O potencial de cada funcionário dentro de uma empresa depende, em grande parte, da motivação que ele tem. Funcionários que trabalham apenas por pressão ou insatisfeitos com os seus empregos estão condenados a realizar um baixo potencial, ao invés daquele que trabalha em busca de constante aperfeiçoamento. A motivação é algo que cada indivíduo possui por si mesmo, através de um ambiente ou atmosfera propícios a esse desenvolvimento.
A pirâmide de Maslow é um exemplo nítido da classificação das necessidades do ser humano, desde as fisiológicas até às de auto-realização. Ele deve ser constantemente estimulado a fazer ou não algo, através do qual cada vez mais se sinta impulsionado a atingir níveis superiores às suas necessidades. Os funcionários são motivados com base no conteúdo dos seus empregos e no que fazem. A motivação é um tema actual e constante não só na Psicologia como também na Economia, pois ambas trabalham juntas no sentido de ajudar o ser humano a subir cada vez mais nos seus níveis de necessidade, proporcionando-lhe um possível estado de satisfação, sendo que, quando estas estão satisfeitas, novas necessidades emergem, contribuindo para uma constante e incessante.

Miguel Alexandre Palma Costa
 

 


rotasfilosoficas às 19:22

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