Este espaço comunicativo foi pensado com o propósito de facultar a todos os interessados um conjunto de reflexões e recursos didácticos relativos ao ensino das disciplinas de Filosofia e Psicologia, acrescentado com alguns comentários do autor.

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Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

O facto científico: o que é?

 

 

«O que é imediatamente valorizado pela observação ingénua é geralmente acessório. A percepção imediata e vulgar, longe de ser a chave da Ciência, como o julgavam os empiristas, prejudicou durante muito tempo os progressos da Ciência. A observação empírica não está, pois, na origem da Ciência, mas é um obstáculo ao conhecimento científico. […]

Por oposição à percepção imediata, o conhecimento científico transforma as qualidades em quantidades (o aparecimento da Ciência é o aparecimento da medida; em vez do 'vivido' sonoro e colorido, a Ciência descobre vibrações das quais se pode medir o comprimento de onda, a frequência). À diversidade empírica a Ciência substitui a unificação racional. Para a Química, os corpos infinitamente diversos reduzem-se a uma centena de corpos simples, susceptíveis de se combinar de diversas formas. Os corpos são compostos de átomos, o próprio átomo foi analisado: o electrão aparece hoje como o constituinte último da matéria.

 

[…] Aí onde a observação imediata vê seres – a Ciência reconhece relações.

A realidade científica não é, pois, a realidade espontânea e passivamente observada. É uma realidade construída. O facto só tem significação científica quando é transposto de forma a comunicar-nos características objectivas, mensuráveis.

A construção científica do facto consiste geralmente em imaginar uma série de artifícios técnicos para transpor a observação para o campo visual e espacial. Por exemplo, a sensação muscular de peso, subjectiva e imprecisa, é substituída pela apreciação visual da posição da agulha da balança. A força é medida pelo alongamento comunicado a uma mola.

[…] A temperatura torna-se um facto científico quando já não é sentida sobre a pele mas lida num termómetro. Mesmo a partir de um exemplo simples, pode-se apreciar toda a distância que separa o 'vivido' imediato do 'conhecido' científico: a impressão 'vivida' da temperatura depende dos receptores térmicos à superfície do nosso corpo. Mas estes fazem parte de um organismo que é, ele próprio, fonte de calor. A impressão de temperatura depende não só do meio com o qual o nosso corpo está em contacto, mas também do nosso próprio corpo. Ela está dependente das variações da circulação sanguínea. O poder de adaptação do organismo impede qualquer apreciação objectiva. […] O uso de um instrumento, posto que tão elementar como um banal termómetro centígrado, introduz-se já num mundo científico. […] A observação científica supõe assim instrumentos, requer uma manipulação. […]

Ao mundo percebido a Ciência substitui um mundo construído. […] Quanto mais a Ciência progride, mais o facto científico se afasta do facto bruto, quer dizer, do facto tal qual se dá à percepção vulgar.»

 

D. Huisman e A. Vergez, La Connaissance, Fernand Nathan, Paris, pp. 56-58 (adaptado)


rotasfilosoficas às 12:37

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