Este espaço comunicativo foi pensado com o propósito de facultar a todos os interessados um conjunto de reflexões e recursos didácticos relativos ao ensino das disciplinas de Filosofia e Psicologia, acrescentado com alguns comentários do autor.

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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

M. Antunes e a definição de Filosofia

 

«Que é então filosofia? Comecemos por dizer o que ela não é. Filosofia não é religião, não é ciência — como a físico-química, a matemática, a biologia, a astronomia, etc. — não é arte, não é o «espírito» de tal ou qual raça, de tal ou qual povo — se é que esse «espírito» chega, de facto, a ser alguma coisa, — não é sensibilidade — geral de uma época ou peculiar de uma gens —, não é folclore — isso muito menos — não é sequer, finalmente e em rigor, nem visão do mundo (Weltanschauung) nem história da filosofia.
Filosofia não é religião. O princípio desta, consideradas as coisas um pouco grosso modo, é a autoridade e o seu objecto o «sagrado»; o princípio daquela a razão — considere-se o termo na máxima latitude possível — e o seu objecto o ser — considere-se ainda o termo na máxima latitude possível. [...]
Filosofia não é ciência no sentido em que o são, por exemplo, a físico-química, a matemática, a biologia, etc. Diferem pelo objecto e pelo método. As ciências, caminhando através de regiões particulares do ser — os corpos e suas propriedades, a vida e seus fenómenos, os números e os símbolos operatórios —, podem aparentar um método mais rigoroso e alcançar resultados mais visíveis. Elas estudam tais objectos precisamente tais como esses objectos são. A filosofia. pelo contrário, sendo transcendental, quer dizer, estendendo-se a todo o ser — que ela estuda precisamente enquanto ser tem originado, de facto, através da descrição e da interrogação, na análise — indutiva ou dedutiva — , e, a maior parte das vezes, da mais ou menos sábia interferência destes vários métodos, tem originado, historicamente, muito maior diversidade de soluções. [...]

 

ANTUNES, Manuel, “Haverá filosofias nacionais?”

in Brotéria. Revista Contemporânea de Cultura, tomo 64, 1957, pp. 42-61

Filosofia não é arte. Quer esta última palavra se empregue no sentido antigo de tecnh, quer no sentido mais moderno e mais restrito de «produção da beleza pela acção do ser consciente». A razão está em que a arte se realiza, à raiz, no singular e no concreto, ao passo que a filosofia pressupõe, sempre, o universal e um certo abstracto. Ou, mais exactamente: arte e filosofia implicam, pelo seu próprio movimento interno, um diálogo vivo, existencial, de singular e de universal, de concreto e de abstracto. Nisso comungam. Diferem, porém, na acentuação: para a arte, o singular é primeiro e o universal é segundo, ao contrário do que se dá com a filosofia onde o universal é originário e o singular derivado. [...]
Filosofia não é sensibilidade, geral de uma época ou peculiar de um povo. Porque esta, num e noutro caso, existe como clima difuso ou na ordem directa do conhecimento. Poderá portanto originar motivos ou fornecer temas para o filosofar, poderá envolver tal filosofia de particular tonalidade afectiva ou outra, mas não é ela própria filosofia. [...]
Filosofia não é história da filosofia. Nem no sentido enumerativo, erudito, nem no sentido hegeliano. [...]
Posto isto, voltamos a perguntar: Que é filosofia? Mas, ao tentarmos responder, não nos parece lícito eliminar, em proveito de umas, outras partes, notáveis, das histórias da filosofia — monumentaisou manuais —, embora em certos casos desejássemos mais criteriosa ordenação. [...]
Filosofia é saber. Um saber geral e gerante; um saber universal e universalizante; um saber que se formula, actu, — ou seja formulável — numa certa ordem coerente de sistema ou, ao menos, de temas maiores (imagem arquitectónica ou musical); um saber reflexo, simultaneamente anterior e posterior às outras formas do saber: anterior porque, fundando-se, as funda; posterior, em parte certamente, porque reflexo.»
   

rotasfilosoficas às 18:40

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