Este espaço comunicativo foi pensado com o propósito de facultar a todos os interessados um conjunto de reflexões e recursos didácticos relativos ao ensino das disciplinas de Filosofia e Psicologia, acrescentado com alguns comentários do autor.

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Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Antes e depois do 9º C (O vídeo da polémica)

 Depois de suportar os disparates que foram ditos no programa “Prós e Contras” da passada segunda-feira, dia 31.03 (cujo tema era: "Da Plamatória ao Empurrão"), e onde esteve presente um conceituado filósofo português, também o meu ego se viu forçado a emitir um parecer. Parece que todos têm algo a dizer: aqueles que nunca deram aulas numa escola pública, aqueles que têm como actividade profissional outra qualquer realidade distinta, aqueles que gerem as escolas a partir de gabinetes na 5 de Outubro, aqueles que por convites políticos estão à frente de órgãos de soberania, aqueles que …, enfim, todos. Por outras palavras, a apelidada escola “democrática”, como lhe chamam hoje, tudo permite. Permite, que à maneira de um treinador de bancada, todos se reconhecem competentes para gerir um estabelecimento de ensino e, até a actual ministra da educação, à relativamente pouco tempo, apresentou a ideia de que qualquer cidadão poderia ser eleito director de escola desde que tivesse o seu educando a estudar e pertencesse à Assembleia de Escola, retirando por completo essa possibilidade aos professores.

Referia-se que este “devaneio” depressa foi corrigido!
 
Mas, o que interessa aqui comentar é a realidade presente e bem existente que retrata o vídeo “9º C em grande”. Se até à bem pouco tempo as palavras não surtiam efeitos, agora é a força do vídeo e das imagens de violência verbal e física que parecem despertar as consciências dos responsáveis pela situação. O sentimento de impunidade e o desrespeito pela autoridade do professor na sala de aula é uma realidade que vem sendo tornada pública há já bastante tempo. Contudo, à boa maneira portuguesa, nada foi feito.
O professor hoje, para além de ensinar os conteúdos da sua disciplina para os quais foi academicamente preparado e avaliado (conjuntamente com uma pequena formação na área da pedagogia), tem a obrigação de educar, formar, corrigir comportamentos (admoestar), socializar, cuidar, preparar, guardar, treinar, avaliar, … enfim, arquitectar toda uma nova geração de cidadãos que serão o futuro do nosso país. E a troco de quê? Qualquer outra profissão é hoje mais respeitada do que a de professor. A recente revisão do Estatuto da Carreira Docente, a guerra entre professores e ministério (a famosa marcha da indignação), a revisão do Estatuto do Aluno, os sucessivos erros e polémicas dos concursos de docentes, tudo isto contribuiu para uma nova e vergonhosa imagem que a profissão aufere. E só faltava a machadada final: o vídeo “9º C em grande”!. Ele é o culminar daquilo que todos já profetizavam: o ensino em Portugal é uma selva. Os professores já não controlam as escolas e muito menos os alunos. Os Conselhos Executivos não têm poder nenhum e os professores receiam queixar-se pois sabem que vão ser avaliados (até pelos pais dos alunos contra os quais apresentaram queixa). Os auxiliares de educação são igualmente agredidos e quando vêm algo de errado acontecer, por vezes, viram a cara e fingem que nada aconteceu. Os próprios alunos, quando inquiridos, queixam-se da violência dos seus pares e que nada adianta queixarem-se pois sabem que nada lhes acontecerá. Em suma, a lei na escola pública portuguesa não só é cega como é inexistente. Ninguém a conhece, as regras são muitas, complexas, desconexas, impraticáveis e … enfim, é melhor não as aplicar. Com tudo isto só falta contratar empresas de segurança privada para as escolas e (quem sabe), num futuro não muito longínquo, para cada professor, pois esta é cada vez mais uma profissão de risco.
Não sendo demasiado alarmista, julgo que a profissão a breve trecho estará mesmo em risco de extinção, pois com todas estas notícias … não haverá certamente quem queira ingressar nela e por tão pouco como uns míseros mil euros!.

rotasfilosoficas às 17:20

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