Este espaço comunicativo foi pensado com o propósito de facultar a todos os interessados um conjunto de reflexões e recursos didácticos relativos ao ensino das disciplinas de Filosofia e Psicologia, acrescentado com alguns comentários do autor.

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Sábado, 3 de Novembro de 2018

E (quase) tudo o Leslie levou

 

Vento.jpg

 (Vincent van Gogh - Vento)

 

Segundo o prestigiado sociólogo britânico Anthony Giddens, a relação causal (ou nexo de causalidade) define-se como uma relação na qual um determinado facto/fenómeno ou estado de coisas (o efeito) é consequência de outro (a sua causa).

 

Ora, se é verdade que nas ditas ciências exatas, como, por exemplo, na Física, quando conhecemos a lei que relaciona as variáveis conseguimos predizer com grau elevado de exatidão o que sucede após o vislumbre da causa, na Política, essa exatidão não sucede, pois tal deve-se a um todo complexo de relações sociais, económicas, financeiras, etc. sujeitas às mais variadas ‘interferências’ quase eclipsas e que nada têm a ver com as ciências acima nomeadas.

 

Depois desta nota prévia, o que alegarei em seguida não tem qualquer suporte científico – nem cinematográfico, apesar da analogia com o “best-seller” da autoria de Margaret Mitchell, que recebeu 10 Óscares da Academia e cinco nomeações e é passado durante a Guerra Civil Americana, retratando uma jovem e bela mulher que foi duramente atingida pela guerra e que se envolve numa relação de amor e ódio com um sedutor aventureiro – e, assim é apenas uma mera apresentação e interpretação (especulativa) dos acontecimentos ocorridos entre os dias 13 e 15 de outubro em Portugal continental e na RAM.

 

Depois de noticiado, no dia 13 (pelas 7:00h), que o furacão “Leslie” se encontrava a cerca de 320km a noroeste da Madeira, sendo, nesta medida, os seus efeitos mais limitados e menos gravosos para a RAM, depois de garantido pelo chefe do executivo regional que o Serviço Regional de Proteção Civil da Madeira (SRPC) está preparado “para enfrentar qualquer imprevisto”, este – com uma trajetória muito errática – no mesmo dia chegou, no período da noite, a Portugal continental, não como inicialmente previsto pelo IPMA e Proteção Civil, com máxima incidência em Lisboa e Setúbal, mas mais a norte, entre Leiria e Coimbra onde a passagem da agora “tempestade tropical” causou ventos na ordem dos 180 a 190 quilómetros/hora e consequente cenário de destruição: cerca de 2.495 ocorrências, sobretudo queda de árvores e de estruturas, deslizamento de terras e 28 feridos ligeiros e 61 desalojados, para além de todos os prejuízos materiais.

 

Mas uma outra tempestade taciturna passou por Portugal no mesmo período, esta não de caráter meteorológico/climatério, mas política… e que levou à demissão de quase meio governo do PS liderado por António Costa. É um facto e não interpretação, que no dia 14 de Outubro, quando milhares de portugueses começavam a fazer conta aos estragos provocados pela Leslie, o Primeiro-ministro anunciava a maior remodelação no XXI Governo Constitucional, envolvendo quatro ministérios, com a substituição, na Defesa, de Azeredo Lopes por João Gomes Cravinho, na Economia, Manuel Caldeira Cabral por Pedro Siza Vieira, na Saúde, Adalberto Campos Fernandes por Marta Temido e na Cultura, Luís Filipe Castro Mendes por Graça Fonseca. Mas o enredo não se ficou por aqui, pois a uma “dinâmica renovada” – que traz um “reforço da política económica” e uma prioridade concedida à “transição energética na mitigação das alterações climáticas”, claro está, arrolada com a tempestade tropical Leslie – exigiu mais alterações no executivo de Costa e este anunciou, posteriormente, dez novos Secretários de Estado, a criação de duas novas pastas e apenas cinco nomes foram reconduzidos.

 

Ora, diante tudo isto, e porque decididamente neste mundo não há lugar para coincidências – e, como bem referiu Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro, “em política, o que parece é” – conjeturo com um grau de plausibilidade forte, que a por muitos considerada “surpreendente” remodelação de António Costa é apenas uma forma célere de responder ao inevitável desgaste de uma governação (assaz errática) que está já a defraudar a boa-fé do povo português, e que de “dinâmica renovada”, creio, pouco ou nada trará (aliás, na RAM “renovação” é palavra que desde 2015 significa “igual” ou mais do mesmo).

 

 

Miguel Alexandre Palma Costa

(artigo de opinião in DN-Madeira 23.10.2018)


rotasfilosoficas às 17:02

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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018

O Desejo de Poder

 

Poder.png

Setembro é (melhor, era) normalmente o mês de reentré política, o mês em que se inicia(va) um novo ciclo político com “grandes” e novos discursos, promessas e compromissos, “coisas completamente diferentes e bombásticas” depois de se estar calado durante um mês e meio. Contudo, agora – e de acordo com as recentes palavras de Marcelo Rebelo de Sousa – efeito da desdramatização da vida política e da necessidade do aceleramento das intervenções, “o resultado das rentrées diluiu-se” e o discurso é muitas vezes prossecução do que já foi dito e redito aos portugueses, ou seja, não traz nada de diferente e novo.

 

Mas o período que agora se inicia é diferente. 2019 será ano de eleições – por três vezes na RAM – e o desejo, sede ou ânsia de poder (Nietzche fala em “vontade de poder) e a paixão de mandar, não esquecendo que em democracia “é o povo quem mais ordena”, disfarça-se em muitos dos principais (e invariáveis) candidatos com a pele de cordeiro que está mais à mão e estes lançam sobre os cidadãos-eleitores a ideia de que é possível tornar real o irreal. Velhas e novas promessas, devaneios, ilusões e utopias (no passado, megalomanias e “elefantes brancos”) estão, naturalmente, de volta! O melhor candidato – e hipoteticamente vencedor – será aquele que melhor falar (usar da retórica), discernir, manipular e conseguir gratificar a campanha a uma influente agência de comunicação.

 

O poder é sem dúvida algo que nos fascina a todos, embora por motivos diferentes. Ele é a chave para entendermos a condição e experiência humana: as interações pessoais, os sistemas financeiros, económicos e sociais, as instituições, os costumes, as leis…, pois tudo isso “são condensações e/ou dispersões de poder” (Marina, 2008), e a sua conflituosa relação com a liberdade torna-o inevitavelmente, para muitos, suspeito. É famosa a frase de lorde Acton de que o «poder corrompe sempre», aceite por muitos, e por isso nenhum dos candidatos ao exercício do poder se atreve a dizer que o deseja ter, pois tal seria reconhecer a sua disposição para ser corrupto. Mas o que é o poder? Porque atrai tanto? Donde brota – e o que é – esse insaciável desejo de conquistar o poder?

 

O poder é algo que circula e funciona em cadeia, não é uma propriedade (antes a potência de realizar uma possibilidade), um bem, mas algo que “está presente em todos os tipos de relações comunitárias” (Henriques, 2018), que emerge no circuito do desejo, faz parte do seu dinamismo e na política desempenha um papel capital graças ao conflito permanente entre os interesses particulares e interesses de grupos. Ora, a vida política na RAM também ela vive deste conflito que não tem solução final, e o desejo originário de poder, de afirmação, distinção, ampliação de possibilidades pessoais – de domínio – cresce a olhos vistos rumo a 2019 e à obtenção de lugares potencialmente acessíveis à eleição dos escolhidos pelos aparelhos partidários, independentemente das suas qualificações e mérito.

 

Espinosa disse, com razão, que a “essência do homem é o desejo” e este é vulgarmente descrito como um impulso (espontâneo e consciente) para um bem conhecido ou imaginado, capaz de satisfazer uma necessidade ou carência. Freud, pelo contrário, acredita que o segredo está no inconsciente e que o desejo se reduz a um conflito de pulsões. Em política, o desejo é não só de dominar mas sobretudo de expansão do poder do eu, um poder pessoal que se manifesta mediante uma inesgotável vontade de atuar, de agir, de mobilizar energias próprias e de outros, um poder “sobre” (de mandar), de impor-se ao outro e do converter em instrumento da sua vontade, meio para alcançar os grandes fins que a sua visão observa, ou pior e como muitas vezes sucede, embriaga.

 

Se o poder é um modo de afirmação e de reconhecimento social, na política o poderoso, na busca e defesa da sua legitimidade, afirma que quer é apenas servir a sua comunidade e acredita – pelo menos transmite-o – que só o move o bem pelos demais, o Bem Comum, a felicidade do seu povo, ou seja, a satisfação de tudo aquilo que os seus necessitam e há muito aspiram.

 

Até meados de Outubro de 2019, a atração/paixão pelo poder – misturada com alguma vaidade adulada, narcisismo, desejo de bem-estar e reconhecimento social… – irá fazer com que muitos putativos e candidatos aos diversos cargos disponíveis cheguem mesmo a dizer que não estão “interessados em exercer o poder pelo poder” e nos privilégios que tal lhes confere. Porém, não nos deixemos nova e repetidamente enganar por declarações camufladas e manipulatórias, apensas a carismas díspares que só conduzem a mais ‘limitações’ e à deterioração do sistema democrático que hoje temos e que já não cumpre a nobre finalidade da política.

 

Em suma, a história ensina-nos que para lidarmos com o poder e impedirmos os seus excessos, a solução não é eliminá-lo (todas as revoluções derrubaram um poder para o substituir por outro), mas sim controlá-lo, e em democracia precisamos de sociedades, cidadãos e lideranças que excluam a dominação, que exijam igualdade/equidade sempre que existam desigualdades, que sobreponham a liberdade contra a uniformidade e a justiça contra a corrupção. É verdade que em política predomina o interesse, mas a sua finalidade é o Bem Comum e o poder deve estar na cooperação.

 

 

Miguel Alexandre Palma Costa

 

 


rotasfilosoficas às 21:41

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Terça-feira, 19 de Junho de 2018

Política com Valores

 

 

Política e Valores.jpg

 

“Não vale tudo na política!” Estas foram, recentemente, palavras do atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a propósito de mais um ‘caso’ e uma demissão, agora a do ex-secretário-geral do PSD, Feliciano Barreiras Duarte, sendo que a primeira figura do Estado chamou a atenção, mais uma vez, para a existência de “valores fundamentais, que estão na Constituição que tem uma visão personalista da política” e que seria importante toda a classe política compreender e exercitar.

 

É verdade que ouvimos da boca de muitos atores políticos da nossa praça regional (desde ex-governantes a atuais autarcas) e nacional, atestarem que o exercício da política (e esta é um agir mas simultaneamente uma “arte”, a arte de saber, de “intuir” aquilo que aqui e agora é possível realizar em benefício do bem comum dos cidadãos, ou melhor, da comunidade) não deve ser distinta da vivência quotidiana pessoal (vida privada), e que não pode ter códigos de conduta distintos, isto é, ela deve ser regulada por princípios, valores e modos de ser e de agir.

 

Ora, se “não vale tudo na política”, se deve de haver ética na política (e há ética na nossa Constituição”, como bem afirma Marcelo Rebelo de Sousa), então, talvez seja útil à própria classe política pensar, expor e cultivar publicamente valores que entendemos fundamentais como, por exemplo, o respeito pela dignidade da pessoa humana que está bem presente na nossa Constituição, e que muitas vezes parece subtraído em decisões políticas tomadas.

Mas, queria ainda, e dando um primeiro passo em frente (naturalmente, com o risco de deslizar em prováveis incorreções), falar sobre valores e a sua importância na atividade (práxis) política nacional e regional.

 

Primeiro, faz todo o sentido responder à pergunta o que são os valores?

Ora, os valores não são coisas, objetos, mas antes a importância que se atribui ou reconhece a algo ou alguém. Um valor é sempre o resultado de uma relação entre um objeto e um padrão utilizado pela nossa consciência que avalia uma ação realizada ou a realizar. Por outras palavras, empregamos a palavra valor para nos referirmos a algo que não nos deixa indiferentes e, por isso, nos provoca estima ou repulsa, amor ou ódio. Os valores são assim uma espécie de “mais-valia” que acrescentamos a alguma coisa ou a um facto, isto é, são qualidades que lhes atribuímos em função de sentimentos e, por isso mesmo, considera-se que os valores são subjetivos, relativos, ou seja, o resultado de uma escolha que depende da atitude, educação, cultura, etc., de cada pessoa.

 

A título de exemplo, temos valores como os da amizade, bondade, o belo, a harmonia, saúde, justiça, e o primário valor da Vida.

Segundo, agora surge a importante questão: que valores deve a prática política respeitar e cultivar?

Considerada (ou não) como arte, ciência, filosofia ou mesmo como ideologia, a política enquanto atividade humana de conquista e exercício do poder, nunca deverá prescindir da dimensão moral, isto é, de valores. A política não pode apresentar-se alheia, pior, indiferente, ao universo ético. O seu exercício reivindica e impõe, como o desempenho de qualquer outra atividade consciente (nas palavras do próprio Marcelo Rebelo de Sousa), “valores fundamentais”, tais como a honestidade, integridade, responsabilidade, confiança, humildade, lealdade, cooperação, respeito, justiça, transparência, igualdade, bondade, tolerância, solidariedade, equidade, etc. e, obviamente não podia esquecer a liberdade e uma radical exigência de Verdade!

 

Apesar de no século XX e no presente, a sociedade considerar que existe uma crise de valores, ou pelo menos se apontar a falência dos valores tradicionais, pois a globalização económica, o neoliberalismo, relativismo e o crescente individualismo proliferam a par do crescente desenvolvimento científico e tecnológico, ainda assim, na política será sempre perigoso os seus agentes comportarem-se como se a Verdade não existisse.

 

Hoje, mais do que em qualquer tempo do passado, o grande perigo que ameaça a atuação política nas nossas democracias altamente técnicas, burocratizadas e mediatizadas é, sem dúvida, a manipulação (alguns chamam-lhe “retórica negra”), ou seja, a tentação de domesticação dos cidadãos (das grandes massas) para fins que um determinado poder (muitas vezes oculto) tem em vista, e o mediatismo exagerado fabricado pelos media também muito tem contribuído para as profundas alterações que têm ocorrido no mundo da política e para a diminuição ou mesmo extinção da ética política.

 

 

Ana Filipa Silva Fernandes de Castro


rotasfilosoficas às 21:09

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