Este espaço comunicativo foi pensado com o propósito de facultar a todos os interessados um conjunto de reflexões e recursos didácticos relativos ao ensino das disciplinas de Filosofia e Psicologia, acrescentado com alguns comentários do autor.

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Quinta-feira, 25 de Julho de 2019

Para lá das aparências

 

Magritte.jpg

 

Solenizado que está mais um 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, este ano com especial destaque para um discurso (de ocasião) feito por um comentador dos media que teve a audácia e agudeza de questionar as perversões e os poderes daqueles a quem o regime serve – e que rogou “dêem-nos alguma coisa em que acreditar, que alimente o sentimento de pertença, que ofereça um objetivo à comunidade que lideram” (João Miguel Tavares) – mas, para infelicidade de muitos, no dia seguinte tudo é sentenciado e silenciado pelo regresso à brandura da “normalidade”. Por outras palavras, se o dia 10 junho enfatiza e problematiza Portugal e o que é ser português, no dia subsequente já “nada nos traumatiza” e intranquiliza e como que desaparece essa preocupação do ‘destino português’, de um país estranho, geograficamente pequeno e ao mesmo tempo tão automitificado por nós próprios (provavelmente, até temos razões para isso!), o que dá que pensar, diz o ensaísta Eduardo Lourenço.

 

Foi a aventura das descobertas e a condição de colonizadores, esse sonho – e utopia –, que nos manteve agregados durante mais de cinco séculos e que ainda nos une, e que procura inventar-se para o futuro na grandeza daquilo que foi no passado, todavia, hoje Portugal (e a Europa) está numa encruzilhada.

 

As elites que governam o país desde abril de 1974, as consecutivas narrativas engendradas, as táticas políticas, os malabarismos, fraudes, mentiras, ilusões, promessas e ficções empreendidas por poderosas máquinas partidárias aliadas a agências de comunicação e órgãos de comunicação social com interesses ocultos e particulares, transformaram a política e a sua relevância enquanto ‘arte’ de governar a cidade (Estado), de acordo com um projeto/ideia de futuro, num mundo das aparências. A chamada ‘alta política’ alimenta-se agora de um mundo de aparências, de sombras, máscaras, de dissimulações… e são poucos os cidadãos que estão efetivamente atentos às ações (e contradições) dos políticos. Em menos de meio século, e depois de 48 anos de uma ditadura, austera censura e de medo de existir, depressa nos acostumamos a viver e a apreciar um mundo de pseudo-eventos, de celebridades, de formas dissolventes, de “imagens-sombra” e até já as confundimos – e damos mais importância às ‘cópias’ criadas para as redes sociais – connosco próprios.

 

Relativamente à ação dos políticos, o pensador francês e prémio Nobel da Literatura, em 1927, Henri Bergson, tem uma conhecida afirmação que nos pode auxiliar: “não ouçam o que eles dizem, vejam antes o que eles fazem”. Também a este propósito, um recente estudo apresentado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos é bem claro quanto à causa da crise das democracias em Portugal e na Europa: ela está diretamente relacionada com problemas sociais como o desemprego e aumento das desigualdades, mas a maior responsabilidade é das elites políticas, o que gera, no presente, um exponencial aumento dos protestos por parte dos cidadãos e consequente decréscimo da confiança nas instituições ditas democráticas e estimuladoras da meritocracia.

 

Porém, em Portugal um outro fator é fulcral nesta crise de confiança dos cidadãos: a corrupção. A aparência/ficção que o sector financeiro nacional criou e sustentou durante décadas, acarretou para os contribuintes, desde 2007, um total de 23,8 mil milhões de euros em fundos públicos, onde se destaca a Caixa Geral de Depósitos (CGD), instituição que recebeu nos últimos 12 anos, do Estado, um total de 6.250 milhões de euros. Mas a corrupção está agora mais ‘próxima’ dos portugueses na medida em que, em 2018, cerca de metade dos casos relacionados com esta forma de criminalidade ocorreu em autarquias e, já esta semana, uma megaoperação da Polícia Judiciária realizou buscas em 18 municípios, da qual resultou na constituição de quatro arguidos, entre ex-autarcas, funcionários de autarquias e também de uma empresa de transportes. Ou seja, o crescente índice de corrupção, já com efeitos muito consideráveis, continua fazer o seu trabalho de aniquilador da confiança dos cidadãos e de incremento da deceção para com a democracia.

 

Com as devidas ressalvas, na política, o jogo das aparências, dos disfarces, é uma constante do dia-a-dia. A imagem que os políticos fabricam e alimentam em torno de si próprios, seja para se apresentarem perante a imprensa e os cidadãos eleitores ou para enviarem mensagens aos seus adversários, resulta, comprovadamente, na diferença entre uma vitória ou derrota eleitoral, e este ano ainda nos esperam mais dois sufrágios. Perante isto, o desafio é ver para além das aparências, das sombras e interesses dos atores políticos. É imperioso, como advertia Platão na alegoria da caverna, percecionar “outra coisa (…) além das sombras que na nossa frente se produzem”, destrinçar “o jogo e os truques secretos das maravilhas que exibem” e escapar à sensação imediata. É fundamental desvelar a essência, o que subsiste independentemente da consciência que perceciona ou conhece, visto que, como diz Fernando Pessoa, “nem tudo que é ouro é luz”. O conhecimento da realidade exige nos dias que correm maior empenho e compromisso, pois alguns políticos comportam-se como os principais inimigos da política. Ora, a atual crise do regime político começa já por exigir uma reinvenção do exercício de cidadania.

 

Miguel Alexandre Palma Costa

(artigo de opinião in Diário de Notícias da Madeira, 18.06.2019)


rotasfilosoficas às 20:51

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Quarta-feira, 3 de Julho de 2019

Think outside the box

 

Out the box.jpg

 

“Pensar fora da caixa” é algo escasso ou raramente visto na atividade política regional e nacional, mesmo em período pré-eleitoral para importantes atos que se aproximam.

 

É cada vez mais incomum assistirmos, num qualquer ator e/ou representante político, à capacidade de sair do pensamento, da linha, molde, do vocabulário, argumentário tradicional – algo até maniqueísta – a que o espetáculo mediatizado da política nos familiarizou e acostumou.

 

As ideias, as propostas e o discurso estão cada vez mais uniformes e empobrecidos. Os políticos preferem deter-se com os procedimentos e normativos, ataques pessoais, manobras de diversão, etc., e com isto afastam-se cada vez mais dos problemas (revelando um limbo de ineficácia), da realidade dos cidadãos e de um qualquer projeto de futuro. A mobilização dos cidadãos para a política é cada vez menor, é um facto, e o ressurgimento e reforço do ‘populismo’ assoma já em vários países e continentes.

 

Ora, será assim tão difícil deixar esse vício de pensar de forma convergente/igual e começar a inovar? Será problemático ter um pensamento livre e criativo e começar por outro lado, por fazer diferente, por mudar?

Será que estamos efetivamente condenados a que o sistema não se renove ou a que, mudando alguma coisa, tudo fique na mesma?

 

Dizem que renovação do sistema é urgente, mas quem está efetivamente animado para avançar? Quem quer assumir verdadeiramente uma alternativa, mas aquela onde se invistam em novas potencialidades, novas metodologias e ideias verdadeiramente transformadoras?

 

Entretanto, Portugal (e milhões de portugueses abstencionistas) continua à espera.

 

Miguel Alexandre Palma Costa


rotasfilosoficas às 12:57

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Sábado, 8 de Junho de 2019

A Política e a construção da opinião pública

 

Opinião e manipulação pública.jpg

 

De um modo geral, a chamada ‘classe política’ não beneficia de uma imagem muito favorável junto da opinião pública. Muitos consideram que a atuação dos políticos pouco ou nada mudou nas últimas décadas. Mantêm-se os mesmos hábitos/vícios, a mesma postura e distância face aos cidadãos e seus problemas (embora demonstrem, agora, uma aparente abertura – e preocupação – com a opinião pública), e muitos cultivam ainda a habilidade de “falar sem dizer quase nada”, de não se comprometerem com coisa nenhuma, ou seja, são autênticos especialistas na arte de contar histórias para os jornalistas ouvirem e depois reproduzirem.

 

Uma das crenças primárias que as pessoas têm sobre os políticos é que estes fazem o que as sondagens/estudos de opinião lhes disserem que é do interesse da maioria. Aliás, no presente, ouvimos muitas queixas de cidadãos anónimos e de especialistas nestas matérias, de que existe uma crise de lideranças, que há falta de um rumo, que não há um direção definida e que os políticos procuram descobrir o que a opinião pública deseja e depois seguem – ou pelo menos, dizem que seguem – o ‘norte’ desejado por essa opinião pública.

 

A ideia de que os políticos guiam a sua ação pelos dados obtidos nas sondagens/estudos de opinião, cria também a sensação de que o sistema político é responsável (e pode ser responsabilizado) perante o público. Contudo, se analisarmos melhor a opinião pública, se o fizermos de uma forma mais aprofundada, descobrimos que a ideia de termos políticos dirigidos por sondagens é, na realidade, um mito. Por exemplo, se investigássemos o que dizem as sondagens sobre o que a maioria dos portugueses apoia na atualidade – maior investimento público nas áreas da saúde, educação, mais regulamentação nas questões ambientais e no combate à corrupção, mas também o desejo de um aumento significativo do salário mínimo nacional e pensões de reforma e uma reforma do sistema político e eleitoral – por outras palavras, se os políticos fossem mesmo dirigidos pelos dados colhidos nas sondagens, então, eles seriam a favor (e implementariam) de políticas mais liberais da ala de esquerda, mas a realidade é que não as seguem e não são conduzidos por elas.

 

Ora, num sistema democrático a importante questão que tudo isto levanta é a seguinte: como é possível esta incompatibilidade entre os desejos dos cidadãos/eleitores e as políticas seguidas pelos seus ‘representantes políticos’? Como explicamos esta inegável contradição? São, efetivamente, os políticos o reflexo da opinião pública? Para começar, podemos dizer que na maioria dos temas/questões económico-financeiros, os políticos desconsideram totalmente a opinião pública. Depois, entra a influência do chamado “quarto poder”. Hoje, os meios de comunicação contam (e fabricam) narrativas sobre o que é a opinião pública, em vez de a refletirem simplesmente. Eles estruturam a forma como os cidadãos entendem os problemas, pois são eles mesmos que confecionam as figuras públicas e as perguntas que fazem e as que não fazem. Todos já apreendemos, por exemplo, que os media têm o que se chama de um papel de “definição de uma agenda”. Por exemplo, sabemos que temas como a degradação do meio ambiente, o aquecimento global, a destruição da vida selvagem, a poluição do ar, água e solo são temas que preocupam e interessam aos cidadãos desde há décadas (e que até começaram a ter uma razoável cobertura mediática, mas depois os media perderam paulatinamente o interesse, mesmo sabendo que os problemas ambientais se agravam de dia para dia) e, na atualidade nacional, são substituídos por uma agenda que é marcada por casos como, por exemplo, o assalto aos paióis de Tancos, o alegado desvio dos donativos para as vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, as nomeações de diversos familiares (e ‘boys’ do PS) pelo Governo de António Costa e, mais recentemente, a greve dos motoristas de veículos pesados de matérias perigosas que colocaram o país em “crise energética” e quase pararam aeroportos, portos, hospitais, serviços de segurança, etc..

 

Quando, na primeira metade do século XX, o sociólogo norte-americano, George Gallup, começou a refinar a arte das sondagens de atitudes políticas e opiniões públicas, ele viu-as como o amanhecer de uma era mais democrática. Para ele, a ciência do estudo de opinião significava que a entrada de informação do público no processo político já não seria limitada a uma eleição de tempos a tempos. Melhor, as elites políticas podiam agora atuar mesmo sobre os “desejos” do público e em assuntos muito específicos. Porém, a poucos dias de mais um ato eleitoral à escala europeia, e quase um século depois dos trabalhos de George Gallup, vivemos hoje, numa sociedade saturada de sondagens de opinião e as questões que se colocam são: será que essa visão democrática foi notada? Será que os políticos respondem de facto às verdadeiras preocupações do (interesse) da opinião pública? Infelizmente, os dados demonstram que em vez de serem um mecanismo para alargar/estender a democracia, as sondagens de opinião são cada vez mais usadas e divulgadas de forma altamente seletiva para irem ao encontro de uma agenda política elitista. O cidadão comum e as suas inquietações, esse continua a ser ignorado.

 

Miguel Alexandre Palma Costa

(Artigo de Opinião in Diário de Notícias da Madeira, 12.05.2019)

 


rotasfilosoficas às 12:36

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