Este espaço comunicativo foi pensado com o propósito de facultar a todos os interessados um conjunto de reflexões e recursos didácticos relativos ao ensino das disciplinas de Filosofia e Psicologia, acrescentado com alguns comentários do autor.

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Sábado, 3 de Outubro de 2020

Esta Região (ainda) é para jovens?

 

 

RAM.jpg

 

No pequeno (em número de páginas, mas enorme no valor e qualidade) Conto da Ilha Desconhecida (1997), da autoria do primeiro, e até agora único Prémio Nobel de Literatura em língua portuguesa – José Saramago –, aparece uma conhecida passagem que é não só uma explicação da realidade, mas simultaneamente uma metáfora e um ensinamento, por muitos mencionada, que aqui consigno: “é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós” (p. 43).

 

A entidade aqui não nomeada é claramente o autoconhecimento – “se não sais de ti, não chegas a saber quem és” – a busca do eu, do si-mesmo, do sentido da vida e dos seus mistérios. No entanto, a ‘Ilha Desconhecida’ é também a história de todos os homens que lutam contra as convenções estabelecidas, que partem em busca dos sonhos impossíveis, de grandes feitos e de quem não se conforma com o que tem à disposição ou está predeterminado, para além da demanda de si.

 

Ora, para quem trabalha com jovens-estudantes, sobretudo aqueles que finalizam o ensino secundário na Região Autónoma da Madeira, lê e analisa este excerto com outros olhos e âmago. Neste arquipélago europeu, dotado de autonomia política e administrativa através do Estatuto Político Administrativo da Região Autónoma da Madeira, previsto na Constituição da República Portuguesa, as políticas públicas implementadas nas últimas décadas favorecem habitualmente quem está “dentro do sistema” e dificultam (e muito) a vida aos mais jovens. Este é um facto por muitos relatado. Quem acaba de fazer 18 anos e deseja/aposta (em) prosseguir estudos, em variadas áreas do ensino superior – universitário ou politécnico –, na maioria dos casos é obrigado a sair (este ano letivo tenho um ‘excecional’ aluno que irá estudar para a prestigiada University College London-UCL, uma das 15 melhores universidades do mundo).

 

Por outro lado, aqueles que perspetivam encontrar um emprego, auferir um salário justo/digno (e não mais um estágio não remunerado, emprego precário e um vencimento de pouco mais de 600 euros mensais), constituir família, projetar um futuro com dignidade, ter oportunidades de realização profissional, encabeçar novos e inovadores projetos, contactar com novas ideias, desenvolver e partilhar experiências com outras equipas, mas também poder satisfazer as suas responsabilidades familiares e procurar a felicidade, inevitavelmente também são forçados a sair. Pelas minhas contas, creio que mais de 80% dos meus atuais (e ex-alunos) pensam sair da Região (para além dos que já a deixaram), muitos para estudar, e uns quantos – com ou sem família constituída e filhos – para trabalhar. O número seguramente já ultrapassa o milhar. São jovens, formados no país, nomeadamente enfermeiros/as, médicos, arquitetos, engenheiros, jornalistas, professores, educadores,… mas também técnicos na área da mecânica, eletricistas, canalizadores, carpinteiros, cozinheiros, manobradores, bombeiros e, imagine-se, até licenciados em Turismo…, jovens que cedo percebem que a Região não lhes dá continuidade e valor ao seu esforço em termos de mercado de trabalho, melhor, que não é para eles e, assim, emigrar para outros países/continentes é/foi a única e melhor solução.

 

De boca cheia, os nossos governantes declaram na rádio, na televisão e nos jornais – mas também comentadores e ‘opinadores’ – que esta é a “geração melhor preparada de sempre” (o correto talvez seja dizer “a geração mais diplomada de sempre”), mas, conjuntamente, é a geração que não consegue sair de casa dos pais – ou que se vê obrigada a ela regressar por falta de oportunidades e formas dignas de autossustento – e que para inverter a injusta situação de emprego/desemprego que nos últimos anos enfrenta, é compelida a procurar um futuro além fronteiras. A este propósito, quem já se esqueceu de um primeiro-ministro que incentivou os jovens portugueses a emigrarem para procurarem emprego no estrangeiro, e que depois disse que isso não passou de um “mito urbano”? Ou de um vice-presidente do Governo Regional que afirmou que os nossos jovens não mostram grande apetência quando são chamados a trabalhar por turnos e para certas “atividades que não são apelativas”, mas esqueceu-se de mencionar a inerente precariedade, o valor dos salários, os abusos e, em alguns casos, o incumprimento da lei por parte de alguns empregadores?

 

Respondendo então à questão: “esta Região (ainda) é para jovens?”, creio que a resposta talvez se encontre na palavra “sonho”. Se os jovens da Região cessarem de perseguir os seus sonhos, abdicarem de desejar, de pensar e de se mexer – ou seja, renunciarem à ousadia que os caracteriza e se conformarem, como derrotados e não como construtores de oportunidades, então a resposta é afirmativa. Mas se forem do “tamanho do seu sonho” (Fernando Pessoa), então, nem a linha do horizonte que nos distancia do continente mais próximo é o limite.

 

 

 

Miguel Alexandre Palma Costa

in Diário de Notícias da Madeira, 31 de julho de 2020

(https://www.dnoticias.pt/2020/7/31/69079-esta-regiao-ainda-e-para-jovens)

 


rotasfilosoficas às 12:53

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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2020

Dispersos de um confinamento (II)

 

 

Foto - Miguel A. Palma Costa.jpg

 

Durante anos os professores viram recusados os seus pedidos para assistirem a ações de formação, conferências, colóquios, palestras, congressos, etc., que decorriam durante a componente letiva que constava no seu horário semanal de trabalho.

"A participação, devidamente autorizada, quer em articulação com o centro de formação da associação de escolas, quer por iniciativa do docente, em ações de formação contínua que incidam sobre conteúdos de natureza científico-didática com ligação à matéria curricular lecionada, bem como as relacionadas com as necessidades de funcionamento da escola de acordo com o seu plano de formação, e as que promovam um efetivo trabalho colaborativo entre docentes" só podia ter lugar/ocorrer durante o período da componente não letiva, em horário pós-laboral ou ao fim de semana.

Porém, e como diz o poema, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e, agora, quase todos os dias “chovem aglomerados de convites” para que os professores (que estão confinados em suas casas, em tele-trabalho, horas a fio ao computador - e brevemente frente à TV - com os seus alunos e com os filhos que têm de apoiar também nas suas aprendizagens) assistirem e realizarem, por videoconferência, formações online para aprenderem a trabalhar/utilizar software na área das TIC.

Enfim, é caso para perguntar se agora os dias têm mais de 24 horas e se tudo o que é solicitado hoje, 'algum' não poderia ter sido realizado no passado?

Quando se tem vistas curtas, claro está, não se pensa nem se planeia o futuro!

 

 

 

A PROMESSA DE MÁSCARAS

 

No dia 6 de abril, o Governo Regional da Madeira prometeu – num órgão de comunicação nacional – que vai entregar uma máscara a cada madeirense, entre os dias 13 ou 14 de abril (parece que já não será bem assim, agora é duas por agregado familiar), equipamento de proteção individual que é reutilizável e, admitia, “podem ser obrigatórios, quando as restrições de circulação forem aligeiradas”.

Ora, passados quase 10 dias, creio que ainda ninguém recebeu qualquer máscara e continuamos todos à espera do cumprimento da promessa... e à mercê da sorte de as encontrar numa qualquer farmácia para venda.

Entretanto, uma autarquia do continente nacional, que nada prometeu nos órgãos de comunicação nacionais, adquiriu rapidamente 500 mil máscaras cirúrgicas (para distribuir de forma gratuita aos profissionais que estão na primeira linha e à população. Cada munícipe já recebeu, na sua caixa de correio, um kit constituído por máscaras (entre 5 a 8) e um folheto explicativo de como utilizar corretamente as mesmas.

Parece, então, que a resposta do Governo Regional à disponibilização de máscaras (que não são cirúrgicas) não está a correr nada bem. Mais uma vez foi rápido a anunciar, mas ainda não cumpriu o que prometeu e não sabemos, para já, quando o vai fazer.

Saber esperar é uma virtude, dizem! Mas, lá diz o ditado popular, "quem espera, desespera"!

 

 

 

Bem, segundo o atual ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, depois de estar longas horas ao computador em teletrabalho - a ensinar aos meus alunos, mas também aos meus filhos que estão a aprender pelo mesmo modelo/sistema - de atender e fazer chamadas e de responder a SMS de alunos e pais/encarregados de educação, parece que agora também vou ter de ceder os dados da minha morada pessoal para passar a receber (e enviar) "por correio" correspondência para quem não tem meios telemáticos. Novos tempos estes.

 

 

 

Bem, todos sabemos das diferenças (e o que nos separa do modelo educativo finlandês), mas já estamos todos também à espera do cumprimento da promessa, feita por António Costa, de que no próximo ano letivo haverá acesso universal dos alunos dos ensinos básico e secundário à Internet e a equipamentos informáticos, considerando que este investimento avultado é essencial face aos riscos da pandemia da COVID-19.

 

 

Desde os finais da primeira quinzena de março que ouvimos repetida, fortalecida, confortada e reforçadas vezes…, mas também já enfastiada, enfraquecida e um pouco extenuada a palavra “PICO”. Parece que ninguém sabe bem quando e em que condições surgirá, como o localizar e/ou identificar e designar o que devemos fazer depois de o transpor.

Há até que diga que "já o transpusemos" – creio que um ilustre autarca nacional subiu ao seu cume em agosto de 2018, e por isso até pagou uma multa de 500 euros –, mas outros não têm garantias de tal.

Mas afinal, pergunto: o Pico não é a segunda maior das nove ilhas dos Açores, depois da de São Miguel?

 

 

 

É um facto que o tempo não pára, mas se a saudade pudesse agora trazer de volta as coisas que deixaram de “aparecer” por aqui nestes novos tempos, aquelas que provocavam os sentidos mas também ‘renovadas imaginações’…

Ah! Quão bom seria hoje observar e apreciar alguns destes gigantes dos mares que derramavam pelas ruas do Funchal milhares de pessoas vindas de quase todos os cantos do mundo. Como a “saudade é ser, depois de ter” (Guimarães Rosa).

 

 

 

DISCREPÂNCIAS

Até à data presente, existe um Governo Regional que sempre se recusou a atribuir gratuitamente os manuais escolares a todos os alunos do 1º, 2º e 3º ciclos e ensino secundário (ao contrário do que acontece a nível nacional e noutra região arquipelágica), sabendo que muitas famílias não dispõem de condições económico-financeiras para os adquirir no início do mês de setembro de cada ano civil. Infelizmente, nesta mesma região, a taxa de risco de pobreza é a segunda mais elevada do país, situando-se nos 27,8%, enquanto a média nacional é de 17,2% (de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística - INE).

Para além disto, este mesmo executivo, que agora proclama que os educadores e professores estão dotados de todas competências digitais para a implementação de um ensino à distância – utilizando, claro está, o seus próprios equipamentos informáticos –, aquele mesmo que nos últimos anos introduziu alterações ao Estatuto da Carreira Docente que visaram, entre outras coisas, criar dificuldades à formação contínua dos professores, impedindo que esta ocorresse durante o período da componente letiva e possibilitando-a apenas em horário pós-laboral (ou aos fins de semana, desrespeitando, assim, a conciliação entre a vida profissional e a vida familiar), esquece-se que nesta classe profissional ainda há uns quantos docentes que pouco percebem/dominam de tecnologias de informação e comunicação (para não referir os que que encontram em situação de precariedade laboral), e um conjunto alargado de alunos que não dispõem, nos seus lares, nem de um computador nem de internet.

Será que a escola pública, nesta situação em que nos encontramos, vai agora (continuar) a "falhar" para com os alunos das famílias mais desfavorecidas, isto é, vai trair as suas aspirações e interromper a promessa de servir de elevador social? Como ficam estas crianças e jovens que não conseguem contornar estas assimetrias sociais? Será que o estado de emergência também já suspendeu o "Princípio da Igualdade", estatuído no seu artigo 13.º?

 

 

 

No dia 7 de janeiro de 2019, após uma audiência com Sua Excelência o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, durante alguns minutos, detive-me numa pequena sala/corredor do Palácio de Belém e contemplei um conjunto de fotografias de ex-Presidentes da República.

Perante as várias fotografias/imagens, demorei algum tempo diante do retrato de António dos Santos Ramalho Eanes, o 16.º Presidente da República, o mais novo Presidente e também o primeiro democraticamente eleito após a revolução de 1974, homem que muito respeito e admiro.

Para mim, que era ainda criança durante a vigência da sua presidência, António dos Santos Ramalho Eanes não foi um Presidente qualquer. Foi alguém que alienou a sua própria casa de férias para pagar custos que a presidência na altura não conseguia comportar; foi também alguém que recusou ser promovido a marechal; que declinou receber 1 milhão de euros do erário público, com o acumular de dezenas de anos sem receber a subvenção a que tinha direito, após um parecer do Provedor de Justiça, em 2008, ter sustentado que todos os Presidentes deviam ser tratados de igual modo; foi alguém que não comprou ações do BPN quando lhas ofereceram… ou seja, foi alguém que verdadeiramente serviu o país e que ainda hoje é prova testemunhal de que “os políticos não são todos iguais”, que há valores e princípios que não se transgridem só porque as circunstâncias são diferentes.

Ontem, na RTP 1, o cidadão e agora General na reserva, António dos Santos Ramalho Eanes, com 85 anos de idade, mostrou mais uma vez a grandeza e generosidade do seu espírito, mas também que há homens que compreendem como ninguém a relevância do Estado e a defesa do Bem Comum!

Por último, depois de escutar as suas prudentes, sapienciais e encorajadoras palavras, lamentei, para mim mesmo, que esta personalidade ímpar da nossa história contemporânea não tivesse sido convidada (e acolhida) na cidade do Funchal, quando o propus para orador em abril de 2019.

 

 

 

8:00h foi o horário estipulado para a primeira de 6 reuniões agendadas para o dia de hoje. Alguém disse, e ainda não passaram 20 dias, “ninguém está de férias e é isso algo muito importante de poder dizer”, logo (e apressadamente) quando foi determinada a suspensão das atividades letivas devido ao novo coronavírus e à COVID-19.

Ora, depois de ter prestado nos últimos dias ensino (e apoio) à distância, agora que estão idealizadas e concretizadas todas as ponderações viáveis e realizadas as avaliações dos 160 alunos a quem leciono, vou, nos próximos dias, dar mais atenção a outros factos/fenómenos da atualidade – memorizando e relembrando que não estou de férias – nacional e internacional como este: ao que parece, especialistas da Universidade de Turim chegaram à conclusão de que a maioria dos infetados por Covid-19 tinham carência de vitamina D.

Diz um estudo, coordenado por Giancarlo Isaia, docente em Geriatria e presidente da Academia de Medicina da cidade italiana, e pelo professor de Histologia Enzo Medico, que esta conclusão resulta de evidências científicas e que "a vitamina D tem um importante papel na regulação do sistema imunológico"; ao que parece reduz o risco de infeções respiratórias de origem viral, incluindo as causadas pelo novo coronavírus, e "ajuda a neutralizar os danos nos pulmões causados pela hiper-inflamação".

Bem, considerando tudo isto, nos próximos dias vou passar umas boas horas na varanda a capturar muita vitamina D, isto se a primavera trouxer sol e não chuva, claro! 

 

 

 

A Telescola teve emissões regulares entre 1965 e 1987, ano da última emissão. No entanto, as aulas continuaram na televisão até ao ano 2000, através de vídeos enviados diretamente para as escolas. Agora, segundo recentes informações prestadas por António Costa, e graças à COVID-19, está de volta. Estamos de regresso aos velhos tempos.

 

 

 

Uns dizem-nos que vêm aí medidas mais apertadas e que o Presidente decide nesta quarta e quinta-feira os termos da renovação do estado de emergência, algo já dado como adquirido.

Outros, e ainda não atingido o pico de contágio da covid-19, não dão como inteiramente perdido o regresso às escolas e já apontam o dia 4 de maio como o limite razoável para reabrir as escolas… e depois desta data, dizem, já não fará sentido.

 

 

 

Hoje, depois de 19 dias circunscrevidos ao interior de casa, extenuada a paciência connosco mesmo e com os demais, enfurecidos com um vírus que não se vê, mas que contagia tudo e todos e mata (crianças, jovens, adultos e idosos)… extenuados de ler, responder e escrever um sem-número de emails, entediados de resolver tanto trabalho para casa – quer nas plataformas digitais quer em papel ou nos manuais escolares – endereçados aos gémeos; fatigados da repetição de programas, séries e filmes nos canais de televisão; indispostos já com contínuos noticiários que ainda nos consomem e enfraquecem mais... ora, estando por aqui um lindo dia de sol, desrespeitamos a quarentena e saímos.

Hoje fomos até à varanda e contemplamos esta bela vista da formosa baía do Funchal!

 

 

 

Viajar “é nascer e morrer a todo o instante”, escreve Victor Hugo, ou seja, é viver!

Amanhã, 31 de março de 2020, seria dia de atravessar parte do Atlântico e regressar a Lisboa para visitar a família. Porém, as circunstâncias atuais impossibilitam-no e, perante este novo facto, o gémeo mais velho criou, com alguma idealização, uma forma de nos aventurarmos nessa travessia que por agora é mesmo uma espécie de miragem. O resultado do trabalho foi ilustrado/ornamentado com muito carinho e imaginação.

 

 

Miguel Alexandre Palma Costa

 

 


rotasfilosoficas às 18:23

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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2020

O fator TEMPO

 

 

Tempo - Dali.jpg

 

 

Cada um de nós vive sempre entre o ontem (ou o que já passou) e o amanhã (ou aquilo está por vir). É esta a forma como experienciamos o tempo (momento ou instante) presente.

 

Como seria se pudéssemos recordar o futuro, se conseguíssemos revivê-lo? Isso é irrealizável, dizemos nós.
A nossa vida seria suportável se não houvesse a incerteza do amanhã, do que está por vir? A resposta é obvia: claro que sim! É assim que todos funcionamos no dia a dia, apesar de alguns, quando vivenciam uma determinada situação, terem a impressão de que já viram aquilo antes e dizem que sabem, com uma “fração de segundos” de antecedência, o que vai acontecer (o “déjà-vu”, também conhecido e estudado na ciência). Não creio que alguém tenha tido qualquer “déjà-vu” relativo à pandemia da COVID-19 (e ao seu instante de eclosão e proporção) que estamos todos a tentar ultrapassar.

 

De facto, o poder do tempo é singular e extraordinário, e ele é capital nas nossas vidas. A Física diz-nos que ele é “operacional”, o “parâmetro que descreve a mudança de um sistema a partir de um estado”. Ora, presentemente ele parece-nos quase estagnado, paralisado, suspenso… talvez a palavra certa seja ‘dilatado’, pois os minutos parecem horas, os dias semanas e as semanas um mês inteiro. Porém, estamos todos ávidos de o acelerar para que tudo isto acabe o mais rápido possível e voltemos àquilo que denominamos "normalidade".

 

A forma como sentimos e experimentamos hoje o tempo é bem diferente de há 30 dias atrás. Por outras palavras, a passagem do tempo ganhou um novo sentido nas nossas sociedades ditas 'ultramodernas' (mas frágeis), e até nas coisas mais usuais que fazemos. O tempo da ciência, dos nossos relógios, de nossos sofisticados aparelhos de comunicação perdeu alguma ou muita da sua relevância. Inesperada e bruscamente, passámos a dar num novo (e outro) “sentido” ao tempo; passámos de um conceito abstrato a uma vivência e prova de resistência concreta, confinados nos nossos lares; fomos forçados a reavivar as nossas consciências de como o utilizar (convenientemente, espero!) e não o desaproveitar, pois nesta vida não estamos seguros nem um minuto.

 

Por último, que este estranho período que vivemos nos sirva também para aprender a aproveitar o tempo, um dos bens mais preciosos das nossas vidas!

 

Miguel Alexandre Palma Costa

 

 


rotasfilosoficas às 12:55

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