«Nada há, realmente, na etimologia ou na história do uso dos termos que imponha a distinção entre ética e moral. Um dos termos vem do grego, o outro do latim e ambos reenviam à ideia de costumes (ethos, mores); no entanto, podemos encontrar um traço distintivo entre eles, consoante acentuemos o que é ‘considerado bom’ ou o que ‘se impõe como obrigatório’. É por convenção que reservarei o termo ética para o objectivo de uma vida realizada sob o signo das acções consideradas boas, e o termo moral para o lado obrigatório, marcado pelas normas, pelas obrigações, pelas interdições, caracterizadas simultaneamente por uma exigência de universalidade e por um efeito de coacção. Facilmente reconheceremos na distinção entre o objectivo de uma vida boa e a obediência às normas, a oposição entre duas heranças; a herança aristotélica, onde a ética se caracteriza pela sua perspectiva teleológica (de telos - fim); e a herança kantiana, onde a moral é definida pelo carácter de obrigação da norma, logo numa perspectiva deontológica (deontológico significa precisamente dever). [...]
Definirei a finalidade ética pelos três termos seguintes: finalidade da vida boa, com e para os outros, nas instituições justas.
Falando, primeiro, da ‘vida boa’, gostaria de sublinhar o modo gramatical desta expressão tipicamente aristotélica. Ainda é o modo do optativo e não o do imperativo […].
A estima de si é o momento reflexivo da praxis: é aapreciar as nossas acções que nós nos apreciamos a nós mesmos como sendo o seu autor.
Passemos ao segundo momento: viver bem com e para os outros. Como é que esta segunda componente da finalidade ética, que designo pelo belo nome de solicitude, se encadeia com a primeira? […].
Que a finalidade da vida boa envolva, de a modo, o sentido de justiça, isso está implícito pela própria noção de outro. O outro é também outro que o tu. Duas asserções estão aqui em jogo: segundo a prime viver bem não se limita às relações interpessoais, mas alarga-se a vida no interior das instituições: de acordo com a segunda, a justiça apresenta traços éticos que estão contidos na solicitude, a saber, uma exigência igualdade de outro tipo que não o da amizade.»
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