Este espaço comunicativo foi pensado com o propósito de facultar a todos os interessados um conjunto de reflexões e recursos didácticos relativos ao ensino das disciplinas de Filosofia e Psicologia, acrescentado com alguns comentários do autor.

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Domingo, 13 de Abril de 2008

Frases de Marcelo Rebelo de Sousa

Sobre o comentário de Jardim à não realização de um sessão solene na Assembleia Regional da Madeira, aquando da visita do PR:

 

-“Esse comentário não é nada feliz… dá a sensação de que Jardim manda no parlamento e não é isso que deve acontecer… é o parlamento que manda em Jardim.

 

-“Penso que Alberto João Jardim não fica bem, como presidente, a comentar o nível dos deputados… o presidente do governo regional da Madeira não é um comentador.

 

-“Até porque… Jardim não é a Madeira, a Madeira vai continuar para além de Jardim… ninguém é eterno.”

 

Sobre a crítica do PSD à ida de Fernanda Câncio para a RTP:

 

-“É mesmo um tipo de crítica que fica abaixo de cão, e não falando mal dos cães…”

 

-“António Vitorino é sempre o crónico cabeça-de-lista para todas as eleições possíveis e desejáveis…”


rotasfilosoficas às 21:49

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Aproximação à questão: o que são valores?

 
«Um valor é sempre o resultado de uma relação entre um objecto e um padrão utilizado pela consciência que avalia uma acção realizada ou a realizar. Por outras palavras, empregamos a palavra valor para nos referirmos a algo que não nos deixa indiferentes e, por isso, nos provoca estima ou repulsa, amor ou ódio. O valor é assim uma espécie de “mais-valia” que acrescentamos a alguma coisa ou a um “facto”. Isto é, são qualidades que lhes atribuímos em função de sentimentos e, por isso mesmo, considera-se que os valores são subjectivos, relativos, ou seja, o resultado de uma escolha que depende da atitude, educação, cultura, etc., de cada um
 

«Aos olhos do sociólogo, os únicos valores reais são sempre os de uma sociedade particular; são os ideais que uma colectividade escolhe para si e a que adere. Os valores são pois sempre específicos duma dada sociedade: são-no também dum tempo histórico, porquanto variam não só no tempo como de uma sociedade para outra
 
Guy Rocher, Sociologia Geral, I Vol.
 
Objectividade e Subjectividade dos valores
 
Os valores valem por si mesmos, independentemente das relações que os homens possam manter com eles? O mesmo é dizer são absolutos, intemporais e incondicionados? Ou, pelo contrário, todos os valores são sempre relativos, historicamente determinados? Sobre esta questão existem duas posições essenciais, a dos que defendem a subjectividade dos valores e a dos que defendem a sua objectividade.
Subjectividade dos valores: Ao longo da história da filosofia muitas correntes têm defendido esta posição. Os sofistas afirmavam, por exemplo, que a verdade ou a moral não passavam de convenções que variavam de sociedade para sociedade, de indivíduo para indivíduo. Nietzsche afirma que a natureza carecia de valores e somos nós que lhos damos. J. P. Sartre, ao defender a liberdade humana proclama que cabe ao homem a tarefa de inventar os seus próprios valores.
Objectividade dos valores: A maioria das religiões defende esta posição. Os cristãos, por exemplo, apoiados no Novo Testamento declaram que certos valores como o amor ao próximo e as normas morais são absolutos, isto é, não dependem das sociedades, nem dos indivíduos. Na filosofia encontramos a mesma posição em filósofos como Platão. Este considera que o Belo, o Bem e o Justo (formas puras) existem idealmente como entidades imutáveis e incondicionadas. Mais recentemente, a objectividade dos valores foi defendida por filósofos como Max Scheler e Nicolay Hartmann.
 
A natureza dos valores: absolutos e relativos
 
Absolutos são os valores que valem por si mesmos, para lá das vantagens ou desvantagens que nos possam trazer, que são estimáveis em si e não por aquilo que permitam obter. Exemplos: o amor, a beleza e a amizade, etc. – queremos amigos não para nos «servirmos» deles, mas porque estimamos a amizade, porque a consideramos importante; desejamos a liberdade não só para agirmos de modo autónomo, mas porque não concebemos sequer o homem como não sendo livre.
Relativos são os valores que, ao contrário, não valem por si mesmos, mas apenas pelo que nos permitam alcançar, que só estimamos pelo que com eles conseguimos e não pelo que são em si mesmos. Exemplos: o dinheiro, que não queremos por ele próprio, mas por aquilo que com ele nos é possível comprar; a justiça, no caso de só a respeitarmos para escapar à punição que teríamos se o não fizéssemos.
Os valores dividem-se, assim, em Valores-fins e Valores-meios e ordenam-se e hierarquizam-se segundo a importância que assumem para cada indivíduo ou sociedade. Os primeiros têm um carácter absoluto, uma vez que são valores por si sós, independentemente das suas consequências. Os segundos são relativos porque são simples meios para a obtenção de qualquer outra coisa, porque têm valor somente no que respeita àquilo que com eles se procura usufruir.
 
A historicidade e a perenidade dos valores
 
O ser humano tem constantemente necessidade de valores que orientem a sua acção. Esta é sempre regida por eles, na medida em que agimos conforme o que pensamos ser desejável ou correcto, sem que, no entanto, saibamos exactamente e sempre o que isso significa. A transformação dos valores, as suas mudanças tornam difícil a sua fundamentação. O que será justo, por exemplo? E injusto ? E a justiça, será o mesmo para todos?
Digamos, para começar, que os valores só se tornam universais quando, mais do que fundados nas impressões e sentimentos do sujeito (na sua subjectividade), são adoptados pela comunidade, adquirindo, dessa forma, uma certa – pelo menos aparente – objectividade. A objectivação dos valores pela sociedade é o que lhes dá o carácter universal.
Mas unicamente em certa medida. Porque se os valores só são válidos para todos porque fundados na sociedade, eles podem sê-lo apenas para os membros dessa sociedade. Qualquer outra sociedade, em qualquer outro tempo ou lugar, poderia fundar como válidos outros valores. A objectividade fundada na sociedade torna os valores situados, isto é, só são valores, só valem num determinado tempo e num determinado lugar.
Assim, os valores são marcados pela Historicidade. O que significa que por existirem sempre situados num tempo e lugar, eles têm uma existência histórica, determinada pelas condições desse tempo e lugar. Ainda que tenham um carácter objectivo e absoluto, em determinadas condições, a alteração dessas condições, as transformações e a passagem da história transformam também os valores (eis porque a escravatura, o papel da mulher na sociedade, ou o peso da religião são valores que, ao longo dos tempos, têm sofrido alterações ou mesmo deixado de ser considerados).
A dimensão histórica dos valores consiste no facto de eles – ou melhor, da compreensão que deles temos – serem sempre condicionados pela cultura, ideias ou crenças de uma determinada época, de serem sempre relativos ao tempo em que existem.
Mas se alguns valores e a interpretação que fazemos acerca de outros passam, os homens ficam. Enquanto o ser humano existir continuará a ter necessidade de valores que rejam a sua acção e de procurar, porque só isso o poderá satisfazer, a essência desses valores. É sob esse aspecto que se pode falar de perenidade dos valores, isto é, por um lado, da presença indispensável de valores para que se possa compreender o sentido das nossas acções, e, por outro, da necessidade de conhecer o seu fundamento eterno. O que podemos considerar sempre como justo? E como injusto? E o que será sempre justo para todos? A essência dos valores não coincidirá, afinal, com a própria essência humana?
Dizia Kant que mesmo um grupo de malfeitores precisa de se governar pela noção de justiça, sem o que o grupo se desfaria, ou nem sequer se formaria. E o que é essa justiça cujo fundamento verdadeiro nos escapa, mas que está na base da existência do homem como ser social? Essa essência é o que constitui a perenidade mais funda do valor do justo e do injusto e que, em simultâneo, acompanha toda a duração humana.
 
Miguel Alexandre Palma Costa

rotasfilosoficas às 18:13

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Juízos de facto e juízos de valor

 
 
«Enquanto penso dou pequenos toques com os dedos na mesa. Este gesto não é o produto de uma intenção, de uma determinação voluntária. Não tem uma finalidade pelo menos para a minha consciência [...]. O batimento dos dedos na mesa [...] [é] mecânico e não [...] [manifesta] nenhuma preferência: exterior a mim, por assim dizer, [...] [é-me] indiferente.
Posso praticar esgrima para manter a forma ou para passar o tempo mesmo que para isso tenha de interromper a redacção deste livro. Aqui já estamos perante uma conduta que implicou uma preferência, um juízo de preferência: “Vale mais praticar esgrima do que aborrecer-me” ou então “Vale mais manter a minha condição física por meio da prática desportiva do que enfraquecê-la e perdê-la mesmo que para isso tenha de momentaneamente abandonar ou preterir o meu trabalho”.
Tais juízos têm o nome de juízos de valor. Implícitos ou explícitos, claramente pensados ou não, acompanham toda e qualquer acção.
A filosofia da acção desemboca necessariamente numa filosofia dos valores. Se agimos, com efeito, é porque julgamos que vale a pena agir desta ou daquela maneira. Não é indiferente agir de uma maneira ou de outra. Um acto é aos nossos olhos mais precioso ou valioso do que outro e essa valia (valência) é a justificação do nosso esforço.»
 
Verge-Huisman, Nouveau Cours de Philosophie - La pratique et les Fins Tomo IV, Paris, Fernand Nathan, s.d., pp. 23-24

rotasfilosoficas às 18:05

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