Este espaço comunicativo foi pensado com o propósito de facultar a todos os interessados um conjunto de reflexões e recursos didácticos relativos ao ensino das disciplinas de Filosofia e Psicologia, acrescentado com alguns comentários do autor.

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Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Frases da Semana

Sobre o vídeo "9º C em grande"
 
-"O que há de novo neste caso é o telemóvel, para o bem e para o mal..."
-"O telemóvel é a arma do século XXI, uma arma indolor..."
 
José Luís P. de Abreu
 
"Com este caso... é todo o sistema educativo português que está em jogo..."
 
José Gil 
(Programa "Prós e Contras", 31.03.2008)

  

Sobre a descida do IVA:
 
-"Eu prefiro ver isto como uma medida parcial... e o impacto será 50% do impacto negativo que foi à 2 anos a subida de 2%."
 
Sobre o vídeo "9ºC em grande":
 
-"O respeito pela integridade pública da escola, pela não degradação da escola é hoje... uma questão central ... e por isso foi positivo, porque chamou a atenção para o que há de real."
 
António Vitorino, "Notas Soltas" (31.03.2008)

  
"Rui Rio é um adversário que apresenta algumas características que obrigariam o PS a meditar."
 
"Rui Rio segue também uma política do cortar a direito. (...) Teve a coragem de mostrar que o futebol não é tudo."
 
"Após as eleições, esta direcção do PSD não fez grandes esforços para reunificar o partido, … ela quase segue uma estratégia leninista."
 
António Vitorino (Programa "Notas Soltas", 17 de Março)

 

"Vai haver um modelo minimalista de avaliação..."
 
"Esta semana o PS recuou,... ouvindo os professores, recuou, mesmo dizendo que não recuou."
 
"Quem vai no presente e no futuro liderar o mundo da lusofonia é o Brasil."
 
Marcelo Rebelo de Sousa(Programa "As Escolhas de Marcelo", 16 de Março)

 
"No PSD, que é um partido que se caracteriza por não ter ideologia nenhuma, (...) o António Capucho não concorda com Luís Filipe Menezes; o Luís Filipe Menezes não concorda com o Rui Rio; o Rui Rio não concorda com o Pacheco Pereira, e o Pacheco Pereira não concorda com ninguém."
 
Ricardo Araújo Pereira (in "Visão", 13 de Março)
 

 
"Na política, em Portugal, há palavras-chave que são segredo... cedência, recuo..."
 
"Defendo que deve existir um período experimental de um ano, um ano e meio..."
 
"Acho que tem de haver um sinal de que o processo pode ser simplificado..."
 
António Vitorino (Programa "Notas Soltas", sobre Processo de Avaliação dos Professores)

 
"Ela (ministra da educação) é politicamente insensível, o que como socióloga é curioso..."
 
"Augusto Santos Silva é um "trauliteiro-mor"... e esta semana foi forte de mais."
 
"Determinação: essa é a grande qualidade política de José Sócrates."
 
Marcelo Rebelo de Sousa (Programa "As escolhas de Marcelo")

 
"O meu compromisso é para com o Sr. Primeiro-Ministro e por 4 anos..."
 
"Eu compreendo que são mais sacrifícios, mas na minha opinião são sacrifícios legítimos... e o país está reconhecido do trabalho dos professores".
 
"Eu ainda não entendi o que é o recuo..."
 
Maria de Lurdes Rodrigues (Programa "Grande Entrevista")
 

 
“O desempenho do sistema de educação em Portugal é deplorável, é o pior da União Europeia.”
 
Manuel Villaverde Cabral
 

 
“Vivemos actualmente como que um estado de sítio no sector da educação…”
 
“Admiro os professores! Ensinar é sempre um exercício autoritário, é sempre um exercício de autoridade. Até pelo saber. O professor é aquele que sabe e o aluno não… ele tem de aprender.”
 
João Lobo Antunes

 
«Ela (Ministra da Educação) entendeu que para conquistar os paizinhos... tinha de desautorizar e destratar os professores, e com isto quebrou a sua margem de autoridade na escola.»
 
Marcelo Rebelo de Sousa
 
«As pessoas para serem felizes não podem saber como são feitas, nem as salsichas nem as leis!»
 
Marcelo Rebelo de Sousa (citando provérbio eslavo)
 

 
«Alexandre Herculano, o maior "intelectual", que passara pelo exílio e combatera no cerco do Porto, deixou, já em agonia, um último juízo sobre a Pátria: "Isto dá vontade de morrer!
 
Vasco Pulido Valente
 

 
“Como é que se pode exigir às escolas, que no meio do ano lectivo, até ao final do ano façam a avaliação dos professores. Foi preciso a ministra da avaliação..., perdão, da educação..."
 
José Sócrates
 

 
“Qualquer dia é preciso ser-se loira para ser Ministra da Educação.”
 
Maria de Lurdes Rodrigues
 

«Talvez fosse tudo diferente, se os políticos tivessem de responder, com os seus bens, pelas dívidas de que são responsáveis.»
 
António Barreto
 

Comentário Talvez, assim, Portugal resolvesse definitivamente o seu deficit económico e, quem sabe, apresentasse um superavit. Refira-se, ainda, que finalmente, alguns "pensadores" portugueses começam a ter a coragem - e ousadia - de dizer algumas verdades e, quem sabe, assim possamos saber a verdadeira dimensão do "Monstro", como lhe chamou Cavaco. Fica-nos a pergunta: o que se esconde por detrás – e se assina – nos gabinetes dos nossos ministros e secretários de estado? A quem serve verdadeiramente os negócios que são feitos por estes senhores? Onde estão as actas das reuniões de "negócios" que movimentam milhões de euros e muitos interesses?


rotasfilosoficas às 17:30

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Antes e depois do 9º C (O vídeo da polémica)

 Depois de suportar os disparates que foram ditos no programa “Prós e Contras” da passada segunda-feira, dia 31.03 (cujo tema era: "Da Plamatória ao Empurrão"), e onde esteve presente um conceituado filósofo português, também o meu ego se viu forçado a emitir um parecer. Parece que todos têm algo a dizer: aqueles que nunca deram aulas numa escola pública, aqueles que têm como actividade profissional outra qualquer realidade distinta, aqueles que gerem as escolas a partir de gabinetes na 5 de Outubro, aqueles que por convites políticos estão à frente de órgãos de soberania, aqueles que …, enfim, todos. Por outras palavras, a apelidada escola “democrática”, como lhe chamam hoje, tudo permite. Permite, que à maneira de um treinador de bancada, todos se reconhecem competentes para gerir um estabelecimento de ensino e, até a actual ministra da educação, à relativamente pouco tempo, apresentou a ideia de que qualquer cidadão poderia ser eleito director de escola desde que tivesse o seu educando a estudar e pertencesse à Assembleia de Escola, retirando por completo essa possibilidade aos professores.

Referia-se que este “devaneio” depressa foi corrigido!
 
Mas, o que interessa aqui comentar é a realidade presente e bem existente que retrata o vídeo “9º C em grande”. Se até à bem pouco tempo as palavras não surtiam efeitos, agora é a força do vídeo e das imagens de violência verbal e física que parecem despertar as consciências dos responsáveis pela situação. O sentimento de impunidade e o desrespeito pela autoridade do professor na sala de aula é uma realidade que vem sendo tornada pública há já bastante tempo. Contudo, à boa maneira portuguesa, nada foi feito.
O professor hoje, para além de ensinar os conteúdos da sua disciplina para os quais foi academicamente preparado e avaliado (conjuntamente com uma pequena formação na área da pedagogia), tem a obrigação de educar, formar, corrigir comportamentos (admoestar), socializar, cuidar, preparar, guardar, treinar, avaliar, … enfim, arquitectar toda uma nova geração de cidadãos que serão o futuro do nosso país. E a troco de quê? Qualquer outra profissão é hoje mais respeitada do que a de professor. A recente revisão do Estatuto da Carreira Docente, a guerra entre professores e ministério (a famosa marcha da indignação), a revisão do Estatuto do Aluno, os sucessivos erros e polémicas dos concursos de docentes, tudo isto contribuiu para uma nova e vergonhosa imagem que a profissão aufere. E só faltava a machadada final: o vídeo “9º C em grande”!. Ele é o culminar daquilo que todos já profetizavam: o ensino em Portugal é uma selva. Os professores já não controlam as escolas e muito menos os alunos. Os Conselhos Executivos não têm poder nenhum e os professores receiam queixar-se pois sabem que vão ser avaliados (até pelos pais dos alunos contra os quais apresentaram queixa). Os auxiliares de educação são igualmente agredidos e quando vêm algo de errado acontecer, por vezes, viram a cara e fingem que nada aconteceu. Os próprios alunos, quando inquiridos, queixam-se da violência dos seus pares e que nada adianta queixarem-se pois sabem que nada lhes acontecerá. Em suma, a lei na escola pública portuguesa não só é cega como é inexistente. Ninguém a conhece, as regras são muitas, complexas, desconexas, impraticáveis e … enfim, é melhor não as aplicar. Com tudo isto só falta contratar empresas de segurança privada para as escolas e (quem sabe), num futuro não muito longínquo, para cada professor, pois esta é cada vez mais uma profissão de risco.
Não sendo demasiado alarmista, julgo que a profissão a breve trecho estará mesmo em risco de extinção, pois com todas estas notícias … não haverá certamente quem queira ingressar nela e por tão pouco como uns míseros mil euros!.

rotasfilosoficas às 17:20

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Terça-feira, 1 de Abril de 2008

A alegoria da Caverna - Platão

      «Depois disto – prossegui eu [Sócrates] – imagina a nossa natureza, relativamente à educação ou à sua falta, de acordo com a seguinte experiência. Suponhamos uns homens numa habitação subterrânea em forma de caverna, com uma entrada aberta para a luz, que se estende a todo o comprimento dessa gruta. Estão lá dentro desde a infância, algemados de pernas e pescoços, de tal maneira que só lhes é dado permanecer no mesmo lugar e olhar em frente; são incapazes de voltar a cabeça, por causa dos grilhões; serve-lhes de iluminação um fogo que se queima ao longe, numa eminência, por detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros há um caminho ascendente, ao longo do qual se construiu um pequeno muro, no género dos tapumes que os homens dos "robertos" colocam diante do público, para mostrarem as suas habilidades por cima deles. 

– Estou a ver – disse ele.
– Visiona também ao longo deste muro, homens que transportam toda a espécie de objectos, que o ultrapassam: estatuetas de homens e de animais, de pedra e de madeira, de toda a espécie de lavor; como é natural, dos que os transportam, uns falam, outros seguem calados.
– Estranho quadro e estranhos prisioneiros são esses de que tu falas – observou ele.
Semelhantes a nós – continuei -. Em primeiro lugar, pensas que, nestas condições, eles tenham visto, de si mesmo e dos outros, algo mais que as sombras projectadas pelo fogo na parede oposta da caverna?
– Como não – respondeu ele –, se são forçados a manter a cabeça imóvel toda a vida?
– E os objectos transportados? Não se passa o mesmo com eles ?
– Sem dúvida.
– Então, se eles fossem capazes de conversar uns com os outros, não te parece que eles julgariam estar a nomear objectos reais, quando designavam o que viam?
– É forçoso.
– E se a prisão tivesse também um eco na parede do fundo? Quando algum dos transeuntes falasse, não te parece que eles não julgariam outra coisa, senão que era a voz da sombra que passava?
– Por Zeus, que sim!
– De qualquer modo – afirmei – pessoas nessas condições não pensavam que a realidade fosse senão a sombra dos objectos.
– É absolutamente forçoso – disse ele.
– Considera pois – continuei – o que aconteceria se eles fossem soltos das cadeias e curados da sua ignorância, a ver se, regressados à sua natureza, as coisas se passavam deste modo. Logo que alguém soltasse um deles, e o forçasse a endireitar-se de repente, a voltar o pescoço, a andar e a olhar para a luz, ao fazer tudo isso, sentiria dor, e o deslumbramento impedi-lo-ia de fixar os objectos cujas sombras via outrora. Que julgas tu que ele diria, se alguém lhe afirmasse que até então ele só vira coisas vãs, ao passo que agora estava mais perto da realidade e via de verdade, voltado para objectos mais reais? E se ainda, mostrando-lhe cada um desses objectos que passavam, o forçassem com perguntas a dizer o que era? Não te parece que ele se veria em dificuldades e suporia que os objectos vistos outrora eram mais reais do que os que agora lhe mostravam?
– Muito mais – afirmou.
– Portanto, se alguém o forçasse a olhar para a própria luz, doer-lhe-iam os olhos e voltar-se-ia, para buscar refúgio junto dos objectos para os quais podia olhar, e julgaria ainda que estes eram na verdade mais nítidos do que os que lhe mostravam?
– Seria assim – disse ele.
– E se o arrancassem dali à força e o fizessem subir o caminho rude e íngreme, e não o deixassem fugir antes de o arrastarem até à luz do Sol, não seria natural que ele se doesse e agastasse, por ser assim arrastado, e, depois de chegar à luz, com os olhos deslumbrados, nem sequer pudesse ver nada daquilo que agora dizemos serem os verdadeiros objectos?
– Não poderia, de facto, pelo menos de repente.
– Precisava de se habituar, julgo eu, se quisesse ver o mundo superior. Em primeiro lugar, olharia mais facilmente para as sombras, depois disso, para as imagens dos homens e dos outros objectos, reflectidas na água, e, por último, para os próprios objectos. A partir de então, seria capaz de contemplar o que há no céu, e o próprio céu, durante a noite, olhando para a luz das estrelas e da Lua, mais facilmente do que se fosse o Sol e o seu brilho de dia.
– Pois não!
– Finalmente, julgo eu, seria capaz de olhar para o Sol e de o contemplar, não já a sua imagem na água ou em qualquer sítio, mas a ele mesmo, no seu lugar.
– Necessariamente.
– Depois já compreenderia, acerca do Sol, que é ele que causa as estações e os anos e que tudo dirige no mundo visível, e que é o responsável por tudo aquilo de que eles viam um arremedo.
– É evidente que depois chegaria a essas conclusões.
– E então? Quando ele se lembrasse da sua primitiva habitação, e do saber que lá possuía, dos seus companheiros de prisão desse tempo, não crês que ele se regozijaria com a mudança e deploraria os outros?
– Com certeza.
– E as honras e elogios, se alguns tinham então entre si, ou prémios para o que distinguisse com mais agudeza os objectos que passavam e se lembrasse melhor quais os que costumavam passar em primeiro lugar e quais em último, ou os que seguiam juntos, e àquele que dentre eles fosse mais hábil em predizer o que ia acontecer – parece-te que ele teria saudades ou inveja das honrarias e poder que havia entre eles, ou que experimentaria os mesmos sentimentos que em Homero, e seria seu intenso desejo “servir junto de um homem pobre, como servo da gleba”, e antes sofrer tudo do que regressar àquelas ilusões e viver daquele modo?
– Suponho que seria assim – respondeu – que ele sofreria tudo, de preferência a viver daquela maneira.
– Imagina ainda o seguinte – prossegui eu -. Se um homem nessas condições descesse de novo para o seu antigo posto, não teria os olhos cheios de trevas, ao regressar subitamente da luz do Sol?
– Com certeza.
– E se lhe fosse necessário julgar daquelas sombras em competição com os que tinham estado sempre prisioneiros, no período em que ainda estava ofuscado, antes de adaptar a vista – e o tempo de se habituar não seria pouco – acaso não causaria o riso, e não diriam dele que, por ter subido ao mundo superior, estragara a vista, e que não valia a pena tentar a ascensão? E a quem tentasse soltá-los e conduzi-los até cima, se pudessem agarrá-lo e matá-lo, não o matariam?
– Matariam, sem dúvida – confirmou ele.
– Meu caro Gláucon, este quadro – prossegui eu – deve agora aplicar-se a tudo quanto dissemos anteriormente, comparando o mundo visível através dos olhos à caverna da prisão, e a luz da fogueira que lá existia à força do Sol. Quanto à subida ao mundo superior e à visão do que lá se encontra, se a tomares como a ascensão da alma ao mundo inteligível, não iludirás a minha expectativa, já que é teu desejo conhecê-la. O Deus sabe se ela é verdadeira. Pois, segundo entendo, no limite do cognoscível é que se avista, a custo, a ideia do Bem; e, uma vez avistada, compreende-se que ela é para todos a causa de quanto há de justo e belo; que, no mundo visível, foi ela que criou a luz, da qual é senhora; e que, no mundo inteligível, é ela a senhora da verdade e da inteligência, e que é preciso vê-la para se ser sensato na vida particular e pública
República, Livro VII, 514a-517c.

rotasfilosoficas às 16:49

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