Este espaço comunicativo foi pensado com o propósito de facultar a todos os interessados um conjunto de reflexões e recursos didácticos relativos ao ensino das disciplinas de Filosofia e Psicologia, acrescentado com alguns comentários do autor.

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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2020

Não Pensar

 

 

Pensar.jpg

 

É célebre a afirmação, nas suas múltiplas versões, daquele que é considerado o primeiro filósofo do taoismo chinês (alguns consideram-no até santo), Lao-Tsé (n. 480 a.C.), de que “dar um peixe a um homem com fome, é alimentá-lo por um dia, mas ensinar um homem a pescar, é alimentá-lo toda a vida”, ou seja – como evidenciam determinados analistas económicos e da política contemporânea –, tal ensinamento traduz-se num apostar no futuro, em criar um modo de subsistência ‘durável’ em vez de apenas se resolver um problema do imediato. No entanto, podemos acrescentar a este estimado ensinamento confucionista, um outro mais atual/real que distingue e engrandece a nossa espécie e que é: “se ensinarmos um homem a pensar, tal permitir-lhe-á transformar o mundo, e para sempre!”.

 

A evolução do Homo Sapiens, que começou há cerca de 300 a 200 mil anos em terras da África Oriental (dizem-nos os paleantropólogos), e a mudança, a vários níveis, que este introduziu e cravou no planeta (para nossa conveniência), sobretudo nas últimas décadas, testemunha de forma bem observável e convincente este preceito. Foi o pensamento, a razão – alimento do desenvolvimento humano durante esta grande odisseia – que começou, segundo o astrónomo e divulgador da ciência, Carl Sagan, à cerca de 10 mil anos, quando abandonamos a vida nómada, domesticamos as plantas e os animais, nos tornamos sedentários e edificámos as primeiras aldeias, depois vilas e mais tarde as grandes cidades que hoje vislumbramos em todos os continentes, seja no hemisfério norte ou sul. Por outras palavras, foi o pensar que nos fez sair da ignorância, que deu alguma clareza ao mistério da vida e morte, que permitiu evitar dificuldades e suplantar obstáculos, duvidar, “descrer” (Fernando Pessoa), desenvolver aptidões e compreender (e experimentar) a matéria/realidade, que viabilizou grandes invenções ou descobertas como a do fogo, roda ou a alavanca, e mais recentemente explorar o universo e residir temporariamente 300 quilómetros acima da superfície do planeta Terra.

 

Mas o que é pensar? A etimologia da palavra diz-nos que o termo deriva de “pesar” e, portanto, significa medir, estimar, comparar/relacionar. De forma compendiada, pensar é sobretudo julgar, e desta maneira está intimamente ligado à operação mental do ato de conhecer. René Descartes deixou para a posteridade a descoberta do cogito, a noção de homem como pensamento, “uma coisa (res) que dúvida, que entende, que concebe, que afirma, que quer, que não quer, que imagina e que sente”.

 

Paradoxalmente, e após todas as conquistas acima listadas – e outras aqui suprimidas por falta de espaço e tempo – , na contemporânea “cultura-mundo ou cultura de massas” (Gilles Lipovetsky), conjuntamente apelidada de sociedade ou “civilização do espetáculo” (Guy Debord), aquela que está cada vez mais subordinada à imagem, onde há a retirada da palavra (George Steiner) e “o primeiro lugar na tabela de valores é ocupado pelo entretenimento (…), e divertir-se, fugir ao aborrecimento, é a paixão universal” (M. Vargas Llosa), pensar é um exercício em progressivo desuso. Somos cada vez mais influenciados pela forma como sentimos e percecionamos o mundo, e deixamo-nos levar e enganar (ou não) pelas aparências ou ilusões com que os sentidos já estão familiarizados.

 

Nesta nova era e atmosfera científico-tecnológica (da oponência do polegar, da incessante posse e manipulação de objetos), mediatizada e de disseminação globalizada da informação (empilhada conjuntamente com fake news nas redes sociais), produto de uma substituição e crise de valores (aliada a uma crise da democracia), em que a realidade surge também ela numa acelerada e contínua mudança, e que gera obtusas e incompreensíveis decisões políticas, económicas, ambientais, sociais e culturais (tereno fértil para a expansão de novos radicalismos e a afirmação de populismos), parece querer, estimular ou convidar, pelos menos uma larga maioria de cidadãos, a não pensarem de forma livre e aberta. Aliás, hoje, no geral o ser humano considera que vive melhor se pensar pouco ou não pensar, posição a que determinados tipos de liderança dão grande utilidade). O pensar traz a dúvida, desconforto, a ideia de culpa, de pecado, a melancolia, o medo… e ainda por cima é um exercício difícil, custoso, exige sofrimento e treino, isto é, tempo, horas sobre horas de consistente análise e/ou reflexão.

 

Lamentavelmente, também nas escolas as crianças (e adolescentes) são cada vez mais incentivadas a não pensar. A nova composição social que estamos a erigir não lhes dá tempo para pensar, não lhes admite “tempos livres”, momentos para o ócio; elas têm de estar sempre ocupadas, ligadas, em atividade, a queimar tempo, nem que seja num ecrã de computador, tablet ou telemóvel e a viver um mundo virtual que não reflete o eu nem sobre o eu, mas que distrai (e até mata). O pediatra e professor, Mário Cordeiro, afirma de modo muito claro que as crianças “estão a ser habituadas a não pensar” e os próprios professores parecem estar a ser impossibilitados, pelo sistema que se pretende implementar, de lançarem nos alunos o desafio de estudar e pensarem sobre determinadas temáticas. O que a acontece é que a escola está a deixar de incentivar a dúvida construtiva, o pensamento crítico e parece pretender que os alunos fiquem somente pela concordância dos factos, pela superficialidade, pelas “aprendizagens essenciais”, pois a profundidade, a revindicação de um conhecimento que vá para além da opinião – que exige mais tempo e labor – esse caminho é gradualmente eliminado dos programas ministeriais.

 

Nesta sociedade pós-industrial do Ocidente, num tempo em que a globalização já não é uma figura de retórica, a nova cultura tecnológica encanta, satisfaz – e parece completar – o ser humano. Ofereceu-lhe outro mundo e outros valores, uma existência acelerada, ficcional, cibernética, on-line e, em contrapartida, a prática da reflexão, da meditação, do pensar que ajuda a erigir e solidificar um eu, a personalidade de um ser, padece de um desincentivo estrutural num mundo onde as instituições (e quem nos governa) já não se dedica a pensar, mas unicamente a solucionar os problemas do momento. Alguns académicos proferem que a conjuntura atual é produto da crise das humanidades, cujos riscos são bem superiores aos da recente crise financeira, a qual emergiu nos anos 70 do século passado, nomeadamente quando se instalou a “deslegitimação progressiva da palavra escrita (e lida), em benefício de discursos dominados pela imagem, a gradual perda de poder simbólico de saberes com tradição na cultura ocidental – a Filosofia, a Literatura, a História…” (Carlos Reis), e se assistiu ao crescente prestígio de áreas, cursos e carreiras que se ajustavam e respondiam às novas solicitações socialmente urgentes e economicamente mais rentáveis, quer para as universidades públicas e privadas (também para os politécnicos), quer para as famílias dos alunos. Ora, perante este cenário que favorece uma espécie de cegueira e surdez intelectual, parece que já não há nada a fazer, mas tal não é verdade. O homem não perdeu ainda a capacidade de pensar, pelo que é urgente, talvez agora mais do que nunca, e porque novos contratempos e desafios se agigantam, exercitá-la!

 

 

Miguel Alexandre Palma Costa

in Diário de Notícias da Madeira, 5 de Fevereiro de 2020, p. 20.

 

 


rotasfilosoficas às 19:03

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Domingo, 1 de Novembro de 2020

Regresso à origem

 

Origem.jpg

 

No conhecimento filosófico (e também noutros tipos de conhecimento), que muitos apelidam de saber radical, é relevante (e necessário) ir à raiz dos problemas, até porque para muitos deles não há respostas conclusivas, mas contínuos patamares que suplantamos na busca incessante pela Verdade.
 
Façamos, então, um pequeno exercício reflexivo.
 
Os primeiros casos do novo coronavírus (Sars-CoV-2) surgiram na primeira semana de dezembro de 2019 (algumas fontes mais recentes referem novembro), na cidade de Wuhan (que tem cerca de 11 milhões de habitantes), província de Hubei, esta com perto de 60 milhões de habitantes e que figura como uma das 20 maiores da China.
 
A doença (COVID-19) foi comunicada à OMS, pela primeira vez, a 31 de dezembro de 2019, em Wuhan: referia-se um “conjunto de casos”, cerca de 40, de uma pneumonia atípica causada por um vírus desconhecido.
 
Sabemos hoje que as primeiras semanas podem ter sido cruciais para que o vírus Sars-CoV-2 se espalhasse; que o vírus não ficou contido na província de Hubei; que o regime autoritário chinês falhou numa primeira fase (‘aparentemente’, até adulterou números), mas que este iniciou logo medidas bastante significativas/restritivas para a contenção do surto epidémico e que esta grande nação contabiliza, acreditando nos dados reportados, cerca de 91274 casos positivos com Covid-19 e 4739 óbitos, e que Wuhan teve 76 dias de confinamento obrigatório.
 
Em Portugal, a gestão e o ataque/controlo a esta pandemia – e os números – foi (e está a ser) diferente. Depois de 45 dias de estado de emergência (março e abril), acompanhado do decretar de um confinamento obrigatório, do encerrar de escolas, aeroportos e de grande parte da atividade económica, tudo ficou aparentemente “resolvido” e sossegado no verão e a aguardar o surgimento (ou não) de uma nova e segunda vaga da Covid-19, lá para o outono ou inverno.
 
Entretanto, esta 'imobilidade' e falta preparação face ao que estava para vir, está agora a ter resultados que não desejávamos, mas que exibem claramente que não fizemos tudo aquilo que deveria ter sido feito. Estamos hoje bem piores do que em março ou abril. O número de mortos (2428) e de infetados pela Covid-19 (132 616) aumenta de forma galopante a cada dia que passa, para não falar da rutura do SNS que deixou de responder aos utentes que sofrem de outras doenças e começa a já não dar resposta aos docentes Covid-19 (de acordo com dados recentes do INE, há um aumento de mais 7.155 óbitos em relação à média do mesmo período nos últimos cinco anos, isto para os óbitos não-Covid e que estão por explicar). Registe-se, ainda, que nos últimos dias a China não apresenta novos óbitos por Covid-19.
 
Ora, perante tudo isto, duas questões:
 
1. O que não apendemos com o exemplo da China (e de outros países da Ásia), sobretudo no domínio da contenção e monitorização do alastrar das infeções pela Covid-19?
2. O que está a falhar na Europa e em Portugal, pois sabíamos que muito provavelmente haveria uma segunda vaga bem mais severa que a primeira e não tomamos, em tempo útil, todas as medidas requeridas para a moderar/conter?
 
Lamentavelmente, creio que agora já ninguém ousa dizer isto “Vai ficar tudo bem”!
 
 
 
Miguel Alexandre Palma Costa 
 
 

 


rotasfilosoficas às 18:44

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