
Na primeira semana do corrente mês, tive a inesperada oportunidade de visitar e contemplar o mais recente “museu” que o concelho do qual sou originário – Cascais – inteligentemente soube chamar a si e apresentar como uma mais-valia cultural para o nosso pequeno (territorialmente, falando) país. Fá-lo, é claro, da Casa das Histórias - Paula Rego, que abriu portas a 18 de Setembro de 2009, num edifício constituído por duas pirâmides altas cor de tijolo, da autoria do arquitecto Eduardo Souto de Moura, e especialmente construído para o efeito.
Ora, se quando à irreverência e talento da artista portuguesa radicada em Londres, e dos seus belos e colossais trabalhos, nada há a dizer, já no que se refere à dimensão e forma de apresentação das obras, nas sete salas destinadas à exposição permanente, aí é de destacar a pouca ou nenhuma originalidade das paredes brancas sobre as quais estão “depositadas”; isto para não falar da ausência de qualquer banco, cadeira ou canapé para que os visitantes possam relaxar e passar alguns minutos, ou até horas, a experienciar esteticamente as belas obras de arte expostas.

Em suma, se o objectivo era apenas comercial e de obtenção de atenções parte da população em geral, isso foi amplamente conseguido. Mas se se pretendia formar cultural e esteticamente os visitantes, então ter-se-á de pensar numa outra forma de apresentar os trabalhos e de permitir ao mesmos uma maior e melhor fruição estética. Para isso, precisam de tempo e adequadas condições para poderem desfrutar da companhia e excentricidade das histórias de Paula Rêgo.
P.s.- Ainda é tempo de corrigir esta situação.
Miguel Alexandre Palma Costa