Este espaço comunicativo foi pensado com o propósito de facultar a todos os interessados um conjunto de reflexões e recursos didácticos relativos ao ensino das disciplinas de Filosofia e Psicologia, acrescentado com alguns comentários do autor.

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Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

Um elogio à Filosofia

Na passada edição n.º 786 da revista Visão (de 27 de Março), o conceituado neurocirurgião João Lobo Antunes, apresenta, numa entrevista de três páginas, para além de uma ataque feroz às políticas governativas do Ministério da Educação (em particular, ao estatuto do aluno que considera “alucinante”), um elogio à Filosofia. Isto é, quando a determinada altura lhe é colocada a questão: “Há disciplinas mais importantes do que outras?”, o entrevistado, sem quaisquer incertezas ou temor, prontamente responde: “a História, a Filosofia e o Português são fundamentais.” Aliás, acrescentando, diz: “Tenho participado em sessões para salvar a Filosofia do currículo” (certamente, lembrando aquele “lapso” do Sr. David Justino que, à bem pouco tempo, se esqueceu de publicar a referida disciplina no leque de opções que os alunos podem escolher no 12º ano). E, acrescenta: “Faço-o com gosto porque a formação filosófica - «a capacidade para ver para lá da aparência», como dizia Fernando Gil – é fundamental.”
 
O curioso destas afirmações é virem de alguém que não é directamente da área da Filosofia, mas como o próprio diz, um apaixonado pelo temas e pela visão que esta proporciona. Talvez, se juntássemos este elogio, já algumas vezes repetido na comunicação social (por exemplo, no programa da RTP2, “Câmara Clara”) com aqueles que são “filhos” da filosofia e vivem da filosofia, esta ciência ou “amor pelo saber” não precisasse de recorrer a estes abonos gratuitos (aliás, sempre bem vindos), que a tornam ainda viva em Portugal, em particular no ensino secundário e nas universidades (onde o número de alunos tem reduzido drasticamente e cursos têm fechado).
 
P.S. – Se é verdade que já desde o tempo de Sócrates a filosofia era um saber malfadado, hoje, com outro Sócrates, ela ainda continua a ter de lutar pela sua sobrevivência.

rotasfilosoficas às 17:03

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