Este espaço comunicativo foi pensado com o propósito de facultar a todos os interessados um conjunto de reflexões e recursos didácticos relativos ao ensino das disciplinas de Filosofia e Psicologia, acrescentado com alguns comentários do autor.

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Quarta-feira, 15 de Julho de 2020

Vírus instruído e pessoas "asnas"?

 

 

Covid e estupidez.jpg

 

Nos últimos meses tenho lido, observado, examinado, meditado e aprendido algumas coisas sobre o novo coronavírus (SARS-CoV-2), mas, particularmente sobre as várias e diferentes diretivas/orientações emanadas da OMS e da ‘nossa’ Direção Geral de Saúde. Confesso que estou cada vez mais “ababelado” com algumas delas.


- Em março, um dos primeiros estudos revelava que o vírus podia sobreviver no ar durante 30 minutos, resistir durante dias em cima de determinadas superfícies e deslocar-se pelo ar numa distância até aos 4,5 metros, acima dos 1 a 2 metros recomendados como distância segura pelas autoridades de saúde mundial (OMS). Mais, num ambiente fechado com ar condicionado (por exemplo, avião), a distância de transmissão do novo coronavírus “deverá ser maior do que a distância habitualmente considerada de segurança”… e o vírus, presente em gotículas, pode sobreviver dois a três dias em superfícies de materiais como vidro, metal, plástico ou papel. Esta duração, porém, dependerá de algumas condições como o tipo de superfície e a temperatura – os 37.º são apontados como a temperatura ótima para a sua sobrevivência.


- Em abril, um estudo preliminar da Universidade de Cambridge referia que as gotículas que transportam o novo coronavírus podem alcançar até seis metros no caso da tosse. No caso de espirros, o seu alcance pode ser dos 7 aos 8 metros, consoante a temperatura, humidade e fluxo de ar, um alcance muito maior do que o metro e meio a dois metros de distância física recomendados pelas autoridades de saúde (DGS, por exemplo).


- Em maio, ficamos todos a saber que fazendo uso da tecnologia de radiação ultravioleta (UV-C), validada a nível científico na eliminação de microrganismos, podemos “inativar” o novo coronavírus responsável pela Covid-19. David Brenner, especialista da Columbia University, disse que este tipo de “desinfeção” irá fazer uma grande diferença na higienização dos autocarros e metro de Nova Iorque, e “é muito eficiente na eliminação do vírus que causa a Covid-19”.


Ora, estamos atualmente a meio de julho e os epidemiologistas avisam já que haverá aumento exponencial de infetados a partir de outubro. No mês anterior, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, chamou a atenção para que a pandemia da Covid-19 está a crescer a um ritmo alarmante – “demorou três semanas, no princípio da pandemia, a atingir o primeiro milhão de infetados, mas agora houve mais de um milhão de infetados em apenas uma semana”. Também neste mês ficamos também a saber que uma carta rubricada por 200 cientistas alertava “de que há provas de que a Covid-19 se transmite por aerossóis”, e que a OMS confirmou.


Perante tudo isto, o nosso Governo autoriza os carrosséis a reabrir, mas a Direção-Geral de Saúde (DGS) não acede à reabertura dos parques infantis – “nem de perto nem de longe” – (as crianças devem brincar no modelo de “bolhas familiares”), nem dos salões de dança ou de festa, mas, e ao contrário do que sucedeu na França e Reino Unido, por cá reabriram-se as escolas para que os alunos fossem “preparados” e pudessem realizar os exames nacionais de acesso ao ensino superior, atualmente ainda a decorrer. Mas as surpresas não se ficam por aqui: na passada sexta-feira, a atual Diretora-geral da Saúde disse que quer um distanciamento “mínimo de um metro” entre alunos nas salas de aula, já no arranque do próximo ano letivo, a somar-se a “outros métodos barreira” como forma de prevenção de infeções pelo novo coronavírus (máscaras e disposição das carteiras), e tudo isto para que sejam seguidas as orientações internacionais. Quais delas, pergunto?


Bem, para quem faz a adição de toda estas ‘considerações’ e as relaciona/confronta com a realidade das últimas semanas, alcança inevitavelmente a uma conclusão: ou o novo coronavírus (SARS-CoV-2) é de facto muito perspicaz e sabe admiravelmente quem, onde e como infetar/contagiar, ou então somos muito “asnos” (uma boa maioria) e não entendemos nem a informação/conhecimento (alguma dela contraditória) difundida pelas organizações de saúde nacionais e internacionais, e nem queremos saber como prevenir/evitar a exposição a este novo coronavírus que já ceifou 1662 vidas em Portugal e cuja chegada da vacina ainda está num horizonte distante.

 

 

Miguel Alexandre Palma Costa

 

 


rotasfilosoficas às 16:18

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Quinta-feira, 9 de Julho de 2020

A tarefa da Filosofia hoje

 

 

Filosofia.jpg

 

A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) instituiu, em 2002, que a celebração internacional do Dia (Mundial) da Filosofia seria na terceira quinta-feira do mês de novembro, portanto, este ano, no dia 21 do mês apontado.

 

Mas, pergunto, o que é – e qual a tarefa – a Filosofia nos dias de hoje? Porquê ainda a sua necessidade (e valor) e qual a diferença relativamente ao momento em que surgiu, pela primeira vez na China, no Oriente Médio e depois na Grécia Antiga, no século VIIº a.C.?

 

A Filosofia foi no passado (e continua a ser) uma atividade do pensamento/reflexiva, que se desenvolveu a partir da necessidade do Homem entender o mundo ao seu redor e de identificar princípios, máximas que orientem as suas decisões e ações. Ora, esta exigência e vontade não é hoje menos pertinente do que naquele tempo! Os grandes problemas, as agigantadas questões e até a necessidade de (novas) ideias, na sua grande maioria, permanecem ainda ‘abertos/as’ a tentativas de resposta e a busca pela Verdade não perdeu (pelo contrário, até ampliou) a sua relevância e universalidade, num mundo cada vez mais dominado pela “mentira universal” (José Saramago), pela aparência, pelas sombras (Platão), pela massificação da manipulação numa (nova) era tecnológica e digital – dos metadados (a era do Big Data), onde os algoritmos influenciam decisões, prejudicam minorias e espalham fake news (notícias falsas), mas também solucionam problemas – que se prepara para a inteligência artificial (e novas fronteiras), e não é acompanhada ao mesmo ritmo por novas regras e valores.

 

Hoje, nesta sociedade moderna em que já está em marcha a 4ª revolução industrial, onde triunfou o capitalismo como sistema, a ‘civilização do espetáculo’, por outras palavras, “um mundo onde o primeiro lugar da tabela de valores é ocupado pelo entretenimento e onde divertir-se, fugir ao aborrecimento, é a paixão universal”, como evidencia o laureado com o Nobel de Literatura, Mário Vargas Llosa, precisa (e exige) da atividade crítica que é a Filosofia.

 

Num tempo de grande complexidade nas relações (e de tensões) entre as tradicionais e emergentes potências mundiais, incerto, em que o relativismo impera e simultaneamente se constroem e cristalizam novos dogmas, a Filosofia é agora mais útil do que nunca, pois só a verdadeira liberdade e autonomia do pensamento permitem não aceitar, sem uma cuidadosa análise e julgamento, a variabilidade das opiniões e imagens que diariamente são difundidas nos media e propagadas nas redes sociais – e nos obriga a repensar tudo isso para as sustentarmos com as melhores razões e/ou argumentos – , tudo aquilo que consumimos e absorvemos enquanto espectadores.

 

Vivemos novos tempos que são determinados por novas vontades, é um facto! Como o poeta escreveu: “muda-se o ser, muda-se a confiança: todo o mundo é composto de mudança” (Camões), mas a claridade e gentileza da Filosofia continua a ser um recurso fundamental e indispensável, pois “o pensado permanece invariável”, como bem afirmou Ortega Y Gasset, e ajuda a iluminar e a preparar o caminho adiante, o porvir.

 

É uma evidência que no passado recente tivemos momentos menos favoráveis à Filosofia, até menos generosos para a própria humanidade, como proclamam hoje alguns especialistas na narrativa histórica contemporânea, mas precisamos agora de regressar e revigorar este saber que é simultaneamente uma ferramenta que ajuda a entender (e sintetizar) as múltiplas esferas da humanidade e da realidade, desde áreas como as da Ciência, Religião, a Arte, passando pelo Direito, Economia, etc., e até mesmo a Política. Contudo, a tarefa da Filosofia não se fica apenas pela construção de um conhecimento ou visão do mundo sem ilusões (Fernando Pessoa afirma que “aos poetas e aos filósofos compete a visão prática do mundo, porque só a esses é dado não ter ilusões”). O seu exercício, a sua práxis, contribui para algo mais e profundamente indispensável na atualidade: a edificação de uma sociedade mais tolerante, plural, democrática, respeitadora, criativa/inovadora – pois faz despontar novas ideias – em suma, uma sociedade mais livre, justa, sustentável, onde vigora a paz e decisivamente com futuro!

 

 

Miguel Alexandre Palma Costa

(Texto publicado no Diário de Notícias da Madeira, 20.11.2019)


rotasfilosoficas às 10:35

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Quarta-feira, 1 de Julho de 2020

Dispersos de um confinamento (I)

 

Miguel A.P. Costa .jpg

 

HAVERÁ AGRADECIMENTO?

Padre António Vieira deixou-nos o notável ensinamento de que “o melhor modo de pedir, é agradecer”.

Ora, em matéria de reconhecimento e gratidão pelo trabalho prestado nos últimos dias, foram mais céleres e zelosas algumas editoras com o envio de “Cartas Abertas aos Professores Portugueses” – que testemunharam e confirmam a grande qualidade da classe docente de que o nossos alunos (e país) beneficiam, mesmo em circunstâncias particularmente difíceis, complexas e de como não há memória, e pela extraordinária demonstração de profissionalismo, dedicação, empenho e espírito de missão por parte da grande maioria dos professores (sacrificando, por vezes, a sua vida pessoal, porque os professores também são pais, têm família) – do que os responsáveis pelas entidades/instituições do sector da educação, quer a nível nacional ou regional, que até à data foram incapazes ou inábeis no dever de demonstrar qualquer gratidão pela sua entrega e pelo seu profissionalismo.

Afinal, agradecer, para além de ser uma demonstração de boa educação, é também sinal de grandeza de espírito e bom coração.

 

 

AS NOVAS TRAGÉGIAS

Segundo Oliver Taplin, a tragédia grega foi em grande parte obra da Atenas do século Vº a.C.., uma época de grande prosperidade e poderio, de uma confiança que consentiu esta forma dramática, a qual questionava as crenças mais profundas e mergulhava nas ansiedades e pesadelos mais íntimos. Só uma sociedade confiante e unida o poderia suportar.

Depois do século Vº a.C. tudo parece ruir, isto é, tudo fica em risco e deixa de haver espaço para a tragédia. Começa, então, a emergir o culto "constrangido" do individualismo.
Os atenienses enfrentavam o sofrimento como uma comunidade, da qual nós, isolados pelos media – e agora ainda mais pela proliferação das redes sociais - , não passamos de simples espectadores. A tragédia grega propunha explicar o sofrimento humano, dar-lhe alguma explicação, estruturá-lo.

Hoje, o que presenciamos, as nossas “novas” tragédias não passam de acontecimentos terríveis transmitidos em direto num qualquer programa de TV. Não as vemos explicadas, estruturadas, não alcançamos o seu integral significado... e muitos aparentam nem se dar conta delas. Tudo se resume agora uma série de imagens alienadas, iguais para todos e que nos chegam através de órgãos de comunicação social padronizados e sem pensamento crítico. Ora, isto não tem nada a ver com a intenção da tragédia grega, a intenção de explicar, de dar significado, de nos envolver e, sobretudo, autoconhecer.

 

 

Este período estranho, singular, inquietante e excecional por que estamos todos a passar, permite-me, agora – e é sempre uma boa ocasião – regressar aos clássicos (neste caso, os pré-socráticos) e encontrar excertos /fragmentos como estes:

- “Os deuses não revelaram tudo ao homem. Mas, pela procura, o homem acabará por descobrir mais.”

- “A inteligência do homem desenvolveu-se perante a realidade. Mas as aparências são apenas um vislumbre do oculto.”

Bem, já não sou eu só a dizê-lo... também a presidente do Conselho Nacional de Educação está convencida de que o fecho das escolas está a exigir demasiado e a agravar as desigualdades entre os alunos.

 

 

INCLUSÃO?

É isto o plano de um Ministério que fala de inclusão?

Já agora, para além dos alunos que não têm computador nem acesso à internet em casa - e cujo número, só no ensino básico, poderá chegar aos 50 mil - também há docentes em situação idêntica, para não falar daqueles que vão ter de partilhar os seus equipamentos com os filhos, pois o Ministério/Secretaria Regional não lhes forneceu nenhum. São aquisições feitas por cada um, fruto da sua poupança e um investimento pessoal que fizeram, não são propriedade do Estado, mas sim propriedade privada.

 

 

CÓMICO OU RIDÍCULO?

O Governo, aquele mesmo que não reverteu a privatização dos CTT concretizada pelo executivo de Passos Coelho e Paulo Portas, que permitiu várias alterações estruturais e que as diversas políticas da empresa reduzissem balcões um pouco por todo o país – o que levou ao aumento das reclamações e à crescente insatisfação de milhares de portugueses (clientes) um pouco por todo o país – pede agora à empresa para entregar fichas e trabalhos de casa aos alunos sem acesso às aulas à distância, por causa da pandemia Covid-19 e, pior, que “peçam ajuda a voluntários, professores reformados ou escuteiros”.

O ridículo cresce mesmo na proporção do carácter de quem ou não tem memória ou vive de ilusões criadas pelo seu próprio espírito.

Enfim.

 

 

Como professor, e depois de escutar as primeiras palavras do ministro Tiago Brandão Rodrigues – “Ninguém está de férias e é isso algo muito importante de poder dizer.” (13.03.2020) – percebi logo, infelizmente, que o ‘bom senso’ não iria imperar no discernimento de alguns colegas, sobretudo aqueles queriam não só cumprir à risca a advertência superior, mas mostrar trabalho e ‘enorme’ profissionalismo.

Quem padece com tudo isto são as crianças e os jovens alunos, mas também os pais que não estão voluntariamente de férias em casa - lembremo-nos disso -, e muitos deles a realizar teletrabalho, tal como todos nós.

Não desçamos ao ridículo apenas para parecer ser o que não queremos nem devemos ser!

 

 

A 2ª VAGA

Se na primeira vaga estávamos todos vulneráveis e impreparados para esta pandemia que agora dizima mais de um milhar de vidas por dia, acreditar e aceitar esta fatalidade é “criá-la em nós mesmos”!

A Europa – e o mundo – não pode prosseguir na inércia que nos conduziu até aqui, não pode continuar a demonstrar fraqueza na vontade. Se estávamos “condenados” a tudo isto, então agora todos estamos condenados a lutar contra esta pandemia e a preparamo-nos para o futuro, com ou sem repetição do vírus Sars-Cov-2 ou outro similar.

 

 

Covid-19: SNS não tem capacidade de resposta, acusa médico

Não querendo ser alarmista, mas estando atento ao que vai saindo na imprensa nacional de qualidade, ora, esta entrevista deixou-me ainda mais preocupado com tudo aquilo que poderá vir a surgiu.

Espero que este pessimismo ou realismo do profissional de saúde em questão, se converta, rapidamente, em otimismo e que comecem a surgir boas notícias vindas do exterior e de quem está a trabalhar afincadamente para solucionar tudo isto.

 

 

CEGUEIRA

O nosso notável prosador e religioso, António Vieira, legou-nos o ensinamento de que a cegueira que “deixa os olhos abertos, essa é a mais cega de todas”. Se lhe acrescentarmos uma grande dose de teimosia, estamos no caminho certo para o abismo, mas se a tudo isto adicionarmos ainda a estupidez – e no nosso tempo os dotados desta faculdade são os que gozam de todas as certezas –, então, nem toda a sorte, proteção divina ou mesmo aleatoriedade existente no universo nos impede de caminharmos aceleradamente na direção de mais infortúnio. Enfim.

 

 

BOM SENSO

O “bom senso” é bem distinto do senso comum e mais ainda do ‘senso do momento’.

René Descartes escreveu a célebre afirmação de que ele “é a coisa do mundo mais bem distribuída”, pois todos pensamos tê-lo, mas os acontecimentos – e os números de infetados e vítimas que não param de subir – do último trimestre de 2020, o primeiro do ano, deixam antever tempos difíceis e destapam as múltiplas fragilidades do nosso tempo e das nossas sociedades.

Que o bom senso prevaleça e comande o destino coletivo de mais de 7 mil milhões de cidadãos no mundo – e esta forma de globalização, que todos anuímos, é terreno fértil para novas formas de nacionalismos e populismos - e, para tal creio, é preciso que façamos tudo de maneira a que a razão predomine sobre a emoção, o sentimento ou a sensação do momento, que são muitas vezes causa da desordem e de retrocesso civilizacional.

 

 

Enquanto a Europa – agora o epicentro do Covid-19 – atua para se proteger, conter e mitigar o alastrar de uma pandemia que começou, na Ásia, em finais de 2019, na Rússia, Vladimir Putin assina a lei sobre as emendas constitucionais depois de o Conselho da Federação russo, que funciona como uma espécie de Senado, ter dado hoje luz verde ao diploma.

Está, assim, garantida a sua continuidade/perpetuidade (alguns dizem mesmo "imortalidade") no poder.

Como escreveu Saramago, o "grande problema do sistema democrático é que permite fazer coisas nada democráticas democraticamente".

 

 

FÉRIAS?

Ninguém está de férias, avisa Ministro. Professores vão ter de continuar a ir às escolas.

Senhor ministro Tiago Brandão Rodrigues, creio que todos os professores estão conscientes das obrigações contratuais que têm para com a entidade patronal que representam, assim como os deveres (e também direitos) profissionais de que auferem.
Acredito que todos farão o que é preciso fazer, tal como quem nos governa.

 

 

DISCREPÂNCIAS

Hoje, 11 de março de 2020,

- o dia em que o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom, declarou o novo coronavírus (COVID-19) uma pandemia, ou seja, uma enfermidade que tomou proporções à escala mundial, com diferentes focos em vários países do mundo, entre os quais Portugal, e cujo número de óbitos já ultrapassa os 4.290, segundo dados oficiais;

- em que, de acordo com recomendações do Governo Regional da Madeira, juntas de freguesia, confirmam o cancelamento de festividades que deveriam assinalar o dia da citada freguesia;

- em que Assembleia Legislativa da RAM decidiu proceder ao adiamento de todos os eventos culturais e sociais, programados até 31 de Março de 2020, nomeadamente o ciclo de conferências ‘Parlamento com Causas’, as visitas de estudo e outras visitas guiadas ao parlamento regional, bem como as visitas às IPSS da Região que iriam ter lugar entre os dias 15 e 21 de março;

- em que a Vice-Presidência do Governo Regional comunica que, face às medidas preventivas relativas à propagação do Covid-19, estão cancelados todos os encontros do ‘Orçamento com Proximidade’;

- em que é anunciado publicamente que a presidência do Governo Regional vai decretar a proibição de acostagem de navios de cruzeiros e aumentar as medidas de controlo no aeroporto, de modo a conter a pandemia de coronavírus;

- e em que um comunicado do Governo Regional sobre o COVID19 – “Medidas de recomendações contingência e resposta para apoiar os cidadãos e empresas” – refere (e impõe), cito, que “ficam suspensos todos os eventos de nível escolar, de natureza desportiva ou qualquer outra que provoquem ajuntamentos de alunos e professores para além do decorrente normal funcionamento das turmas”, mas descura (ou mesmo negligencia) que nas escolas, todos os dias, se registam “ajuntamentos” de largas centenas de alunos, nomeadamente nas cantinas ou bares, na hora das refeições, não cumprindo assim alguns dos preceitos determinados pelas entidades de Saúde (e a distância recomendada como segura é de 1 a 2 metros);

- é também o dia em que o executivo madeirense, pela voz do Presidente do Governo, Miguel Albuquerque, numa conferência de imprensa, informa os cidadãos que as escolas da Região não vão fechar, ignorando e desconsiderando – para já – esta difícil, mas talvez imprescindível medida, como sendo das mais eficientes do ponto de vista preventivo e que já foi anunciada por diversas instituições de ensino (desde o básico ao universitário e de norte a sul do país) no âmbito dos seus planos de contingência e combate ao surto da pandemia do Covid-19.

Ora, será que o essencial, do ponto de vista da contenção e prevenção do Covid-19, não ficou ainda por anunciar e fazer?

 

Miguel Alexandre Palma Costa

 


rotasfilosoficas às 18:59

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